Apple (AAPL34) troca Tim Cook por John Ternus; veja os desafios do novo CEO
A Apple abriu nesta terça-feira (1º) o primeiro capítulo de sua sucessão em 15 anos. John Ternus assumiu o cargo de CEO no lugar de Tim Cook, que passa a ser presidente executivo do conselho de administração. No Brasil, os investidores acompanham a companhia pelo BDR AAPL34.
A mudança foi anunciada pela Apple em abril, após um processo de sucessão planejado e aprovado por unanimidade pelo conselho. Cook continuará próximo da empresa
como chairman, especialmente em assuntos institucionais e nas relações com autoridades dos Estados Unidos e de outros países.
Quem é John Ternus?

John Ternus entrou na Apple em 2001, na equipe de design de produtos. Em 2013, tornou-se vice-presidente de engenharia de hardware e, em 2021, assumiu o posto de vice-presidente sênior da área, passando a integrar a equipe executiva da companhia.
Ao longo da carreira, Ternus acompanhou o desenvolvimento de diferentes gerações do iPhone, Mac, iPad e Apple Watch. Também esteve envolvido na criação e na evolução dos AirPods e do Apple Vision Pro.
Formado em engenharia mecânica pela Universidade da Pensilvânia, o executivo construiu sua trajetória dentro da própria Apple. Seu perfil é associado à engenharia, à execução e ao desenvolvimento de produtos, características que ajudaram a colocá-lo entre os principais nomes da sucessão de Cook. Apple
Tim Cook deixa uma Apple maior e mais rentável
Cook assumiu a Apple em agosto de 2011, após a morte de Steve Jobs. Em vez de tentar repetir o estilo do cofundador, concentrou sua gestão em eficiência operacional, escala e cadeia de suprimentos.
Durante seu mandato, o valor de mercado da companhia passou de aproximadamente US$ 350 bilhões para mais de US$ 4,5 trilhões. As vendas anuais avançaram de US$ 108 bilhões para US$ 416 bilhões, enquanto o lucro chegou a US$ 112 bilhões no último ano fiscal.
A Apple também ampliou suas fontes de receita. Além do iPhone, produtos como Apple Watch e AirPods ganharam espaço, enquanto serviços como Apple Music, Apple TV, Apple Pay e iCloud ajudaram a criar receitas recorrentes.
Arthur Levinson, que ocupava a presidência não executiva do conselho, passa a ser o principal conselheiro independente. Ternus também ingressa oficialmente no conselho de administração.
Inteligência artificial será o primeiro grande teste
A sucessão acontece em um momento em que a Apple tenta recuperar espaço na corrida da inteligência artificial. A companhia demorou a entregar recursos mais avançados e adiou a reformulação da Siri, enquanto concorrentes como Google e Microsoft avançaram rapidamente na área.
Na avaliação do estrategista Brian Mulberry, da Zacks Investment Management, “AI is the single biggest challenge for Ternus”. A frase resume a principal cobrança sobre o novo CEO: transformar a inteligência artificial em uma parte central da experiência Apple, e não apenas em um recurso complementar do iPhone.
A companhia apresentou, na WWDC26, uma nova geração do Apple Intelligence e a Siri AI, com integração entre iPhone, iPad, Mac, Apple Watch e Vision Pro. A estratégia combina respostas mais personalizadas, ações entre aplicativos e foco em privacidade. A disponibilidade dos recursos, porém, será gradual e poderá variar de acordo com idioma e região.
Produtos, China e margens entram no radar
O primeiro grande teste público do novo CEO será o evento de produtos marcado para 9 de setembro. A apresentação deve mostrar a próxima geração do iPhone e dará ao mercado uma indicação inicial sobre o ritmo de inovação sob Ternus. Há rumores sobre um modelo dobrável, mas a Apple ainda não confirmou essa possibilidade. Apple
Além da estratégia de produtos, Ternus terá de administrar a cadeia de suprimentos em um ambiente mais difícil. A dependência da fabricação na China continua sendo um risco diante das tensões comerciais com os Estados Unidos, da possibilidade de novas tarifas e da escassez de componentes provocada pela demanda por inteligência artificial.
A Apple vem ampliando a produção na Índia e no Vietnã, mas precisa fazer essa transição sem pressionar custos e margens. Também permanecem no radar as disputas regulatórias sobre a App Store e os meios de pagamento.