Itaú (ITUB4) eleva projeção da Selic para 6,5% em 2021; BofA vê 7% ao ano

Itaú (ITUB4) eleva projeção da Selic para 6,5% em 2021; BofA vê 7% ao ano
Na quinta, os juros oscilaram o dia todo perto da estabilidade, alternando viés de alta e de baixa durante a sessão para encerrarem próximos dos ajustes anteriores - Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O Itaú Unibanco (ITUB4) revisou suas projeções para a Selic em 2021 para uma alta de 1 ponto percentual no próximo encontro – elevando a taxa de juros a 5,25% – e de 2,25 pontos percentuais até o fim do ano, prevendo um fim de ciclo com a taxa em 6,5%. A previsão foi dada em documento divulgado nesta terça-feira (22), acerca da Ata do Comitê de Política Monetária (Copom), publicada às 8h.

O relatório assinado pelo economista-chefe do banco, Mario Mesquita, cita um ritmo mais rápido de normalização monetária, que agora deve ser completa, em vez de parcial. A consideração está alinhada com uma previsão ainda mais alta do Bank of America (BofA), que projet a Selic em 7%.

A estimativa é de que, segundo o Itaú, na reunião de agosto do Copom, a taxa de juros seja elevada em um ponto percentual. Nos próximos três encontros, segundo os macroeconomistas do Itaú, as elevações da Selic devem ser de:

  1. Um ponto percentual
  2. 0,75 ponto percentual
  3. 0,50 ponto percentual

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Vale ressaltar que a previsão anterior do Itaú era de uma Selic de 6% ao ano, revisada somente com a ata, que é um documento mais técnico e denso que explica a decisão tomada na quarta-feira passada, dia 16.

“As perspectivas para a política monetária à frente estarão condicionadas ao comportamento das expectativas de inflação (tanto da pesquisa Focus quanto aquelas incorporadas nos preços dos ativos) e à inflação de bens comercializáveis e serviços”, apontam os economistas, no documento.

Bank of America vê tom ainda mais hawkish do BC

Também elevando as projeções, o BofA ressaltou a postura ainda mais hawkish do Banco Central (BC) – termo utilizado para definir uma política monetária mais austera e com juros mais altos.

Dois trechos da ata se destacaram apontando para uma trajetória nesse sentido, segundo o banco:

  • O BC observou que os conselheiros discutiram a possibilidade de uma redução mais rápida dos estímulos de política monetária “já nesta reunião” , mas decidiu manter o ritmo atual enquanto destaca que uma normalização mais rápida seria possível no próximo encontro.
  • O banco observou que, apesar da inflação estar alinhada com a meta em sua linha de base (com Selic em 6,25% e 6,50% no final de 21 e 22), o balanço de riscos ainda estava enviesado para cima devido ao cenário fiscal e, portanto, justificaria uma trajetória da taxa de Selic menos estimulante do que a usada em seu cenário de base.

Inflação em Pauta

Sobre o tópico da inflação, fortemente vinculado à Selic e à política monetária, o comitê ressaltou que a persistência da pressão inflacionária “se revelou maior que o esperado”.

“Adicionalmente, a lentidão da normalização nas condições de oferta, a resiliência da demanda e implicações da deterioração do cenário hídrico sobre as tarifas de energia elétrica contribuem para manter a inflação elevada no curto prazo, apesar da recente apreciação do real. O Copom reiterou, assim como no comunicado, que segue atento à evolução desses choques e seus potenciais efeitos secundários, bem como ao comportamento dos preços de serviços à medida que os efeitos da vacinação sobre a economia se tornam mais significativos”, analisam os economistas do Itaú.

“No que tange as medidas de inflação subjacente, o diagnóstico das autoridades sobre estas passou de ‘no topo’ para ‘acima’ do intervalo compatível com o cumprimento da meta para a inflação”, seguem.

Conforme ressaltado no documento que dá enfoque à Selic, as expectativas de inflação para 2021, 2022 e 2023 apuradas pela pesquisa Focus são de cerca de 5,8%, 3,8% e 3,25%, respectivamente.

Eduardo Vargas

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