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Pão de Açúcar (PCAR3), Assaí (ASAI3): inflação impacta varejo alimentar e XP corta preço-alvo

Pão de Açúcar (PCAR3), Assaí (ASAI3): inflação impacta varejo alimentar e XP corta preço-alvo
Varejo alimentar sofre com inflação e XP revisa preço-alvo do setor. Foto: Pexels

A inflação é uma das principais vilãs do segmento de varejo alimentar em 2022, segundo relatório da XP Investimentos publicado nesta terça-feira (1º). Com isso em mente, a XP Investimentos decidiu revisar o preço-alvo das ações, como as do Pão de Açúcar (PCAR3), ou GPA (Grupo Pão de Açúcar), Assaí (ASAI3) e Carrefour (CRFB3) – atualização que você verá ao final deste texto. Antes veja os motivos relacionados pelos analistas para essa piora dos papéis do segmento.

Entre os desafios para o varejo de alimentos neste ano, analistas destacam a redução do poder de compra dos consumidores, as perspectivas do atacarejo, assim como as fusões e aquisições, de olho nas possibilidades de integração.

Apesar de o consumo alimentar ser uma das categorias mais resilientes na cesta de compras dos brasileiros, não está blindada da deterioração macroeconômica, defende o documento assinado por Danniela Eiger, head de Varejo e co-head de equity reseach, e pelos analistas de Varejo, Thiago Suedt e Gustavo Senday.

A expectativa é de que o acumulado da inflação nos últimos doze meses, conforme medida do IPCA, siga acima dos dois dígitos durante o primeiro semestre do ano. Em 2021, o IPCA fechou com alta de 10,06%. Segundo o IBGE, a inflação de alimentos em casa e fora de casa nos últimos meses aumentou 8,0% e 6,9% no período, respectivamente.

Por outro lado, o início dos pagamentos do novo programa social Auxílio Brasil, no último dia 18, age na direção contrária da perda de poder de compra e traz alívio positivo para o varejo alimentar.

Com um tícket mínimo de R$ 400 por mês a 18 milhões de famílias, a estimativa é de que o programa traga R$ 84 milhões à economia brasileira em 2022, dos quais 70% iriam ao consumo imediato, como alimentação, medicamentos e transporte.

Com incertezas macroeconômicas, atacarejo é alternativa interessante contra inflação

Em 2022, o segmento do atacarejo deve se destacar como uma alternativa interessante para os consumidores atentos às relações de custo e benefício, uma vez que a tendência da inflação é de se manter em níveis elevados.

“Acreditamos que os consumidores continuarão migrando para o formato em 2022 e que esse movimento deve ser estrutural, uma vez que não vemos motivos para os clientes voltarem a pagar um preço mais alto pelos mesmos produtos em um formato diferente”, dizem os analistas.

“A maioria dos consumidores fará a migração de hipermercados, pois os supermercados estão cada vez mais se adaptando para oferecer uma experiência/sortimento premium e se concentrando mais na qualidade e produtos frescos”, defendem na análise sobre o varejo.

Apesar de reforçar que o segmento esteja completamente blindado da deterioração macroeconômica, o cenário segue competitivo e empresas devem buscar melhorar a experiência do consumidor dentro das lojas e manter os preços atrativos a fim de captar e fidelizar novos clientes.

M&As concentram atenção do varejo, mas conversão de lojas tem importância

De acordo com o relatórios, a XP avalia que não há movimentos óbvios de fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês) para os principais players de cobertura.

Assaí e Carrefour Brasil devem estar focados na integração e conversão de lojas. Vemos o Grupo Mateus fortemente focado na expansão orgânica (com cerca de 50 inaugurações esperadas para 2022), enquanto o GPA deve estar focado em um mix de conversão de lojas (das 28 lojas Extra restantes) em Pão de Açúcar, bem como expansão orgânica do Pão de Açúcar e Minuto Pão de Açúcar no formato de proximidade.”

Para o Assaí, o principal destaque são as vendas e o aumento da lucratividade do Extra, uma vez que os investidores ainda estão relativamente céticos com histórico do formato e mantém preocupações de governança em torno da transação.

Já no caso do Carrefour, investidores acompanharão a conversão das lojas e reestruturação do BIG, enquanto o Carrefour também adicionará o formato do Sam’s Club ao portfólio.

Para o GPA, o mercado segue atento ao novo patamar de rentabilidade do negócio sem o Extra e à conversão das 28 lojas restantes em lojas Pão de Açúcar.

XP Investimentos revisa preço-alvo das ações do varejo alimentar

Neste cenário, a corretora revisou as expectativas de preço para as principais ações do setor de varejo alimentar.

Inflação faz XP revisar preço-alvo de ações do varejo alimentar.
Recomendações e preços alvo (R$/ação). Fonte: Research XP

Para as ações do Assaí (ASAI3), a XP mantém a recomendação de compra, mas reduziu de R$ 23,00 para R$ 22,00 o preço-alvo da ação, um potencial de valorização de 75,9% em relação à cotação atual.

O Grupo Mateus (GMAT3) também tem recomendação de compra ao preço-alvo reduzido de R$ 10,0 para R$ 9,0, upside de 50,8%.

Para o Grupo Pão de Açúcar (PCAR3), o preço-alvo foi reduzido de R$ 35,00 para R$ 32,00 e reforçada a recomendação neutra.

Já o Carrefour Brasil (CRFB3) teve o preço-alvo de R$ 22,00 mantido, também com recomendação neutra entre os papéis do varejo alimentar.

Pedro Caramuru

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