Ibovespa reage após correção e volta aos 162 mil pontos com apoio da Petrobras (PETR4)

Após a correção registrada na sessão anterior, o Ibovespa retomou a trajetória positiva nesta quinta-feira (8) e voltou à região dos 162 mil pontos, reaproximando-se dos 163 mil no encerramento do pregão. O principal índice da B3 fechou em alta de 0,59%, aos 162.936,48 pontos, atingindo a máxima do dia no fechamento.

Com o resultado, o Ibovespa acumula ganho de 1,49% na semana, além de avanço de 1,12% no mês e no ano. Ao longo da sessão, o giro financeiro somou R$ 23,4 bilhões, em um dia de recuperação após o ajuste recente dos preços.

O movimento foi sustentado principalmente pelo forte desempenho das ações da Petrobras (PETR4), que tiveram papel central na alta do índice. As ações ON avançaram 2,50%, enquanto as PN subiram 1,24%, beneficiadas pela valorização dos contratos futuros de petróleo no mercado internacional.

Petrobras sustenta alta; Vale pressiona

Na contramão do movimento, a Vale exerceu pressão negativa sobre o índice. As ações ON da mineradora recuaram 0,97% no fechamento, limitando um avanço mais intenso do Ibovespa na sessão.

Segundo Tales Barros, líder de renda variável da W1 Capital, apesar da trajetória positiva do índice para 2026, o ambiente tende a ser marcado por maior incerteza e volatilidade, especialmente após um ano forte para a Bolsa em 2025. Para ele, o enfraquecimento do dólar frente ao real no ano passado favoreceu o fluxo estrangeiro para o Brasil, mas, no curto prazo, a geopolítica deve seguir como fator relevante para os preços das commodities.

Nesta quinta, a volatilidade geopolítica foi benéfica às ações da Petrobras. Os contratos futuros do petróleo subiram mais de 3% em Londres e Nova York, após notícias de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e assessores de seu governo avaliam uma iniciativa para ampliar a influência americana sobre a indústria petrolífera venezuelana, incluindo a estatal PdVSA.

Setor financeiro tem desempenho misto

O setor financeiro apresentou desempenho misto, ainda refletindo a maior volatilidade recente associada às incertezas em torno da liquidação do Banco Master. Entre os principais bancos, as variações ficaram entre -1,70% para Bradesco PN e +2,16% para BTG Unit. O Itaú PN, principal papel do segmento, avançou 1,55% no pregão.

Para Pedro Moreira, sócio da ONE Investimentos, o dia foi marcado por uma leve melhora na percepção de risco, após a correção de quarta-feira. Segundo ele, além do suporte vindo da Petrobras, houve fechamento dos juros futuros de longo prazo, contribuindo para o desempenho mais favorável do Ibovespa.

Altas e baixas do Ibovespa

Na ponta positiva do índice, destaque para Brava (+5,70%), Axia Energia — com ganhos de 4,07% (PNB), 3,80% (PNC) e 3,41% (ON) — além de Braskem (+3,99%). Entre as maiores baixas do dia ficaram Hapvida (-4,77%), Porto Seguro (-4,55%) e WEG (-4,17%).

Assim, após o ajuste da véspera, o Ibovespa encerra a sessão em recuperação, apoiado principalmente pela Petrobras (PETR4) e pelo desempenho misto do setor financeiro, em um ambiente ainda marcado por volatilidade e atenção aos desdobramentos do cenário internacional.

Com Estadão Conteúdo

Maíra Telles

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