Ibovespa tenta reagir, sobe 0,62% e ensaia alívio após sequência de quedas
O Ibovespa conseguiu interromper parcialmente a sequência recente de perdas nesta terça-feira, 5 de maio, ao subir 0,62%, aos 186.753,82 pontos. O movimento, no entanto, ainda é pontual: foi apenas o terceiro ganho nas 13 sessões desde os recordes históricos de 14 de abril.
O índice oscilou entre 185.364,01 e 187.427,56 pontos ao longo do pregão, com giro financeiro de R$ 26,2 bilhões. Mesmo com a alta do dia, o saldo da semana e do mês segue levemente negativo, enquanto o ganho no ano ainda é de 15,91%.
Ibovespa reage com bancos, mas segue pressionado pelo exterior
A recuperação do dia foi puxada principalmente pelo setor financeiro, que tem maior peso na composição do índice e ajudou a compensar perdas relevantes em outros papéis.
Entre os grandes bancos, os ganhos chegaram a 1,59% em Bradesco PN, refletindo um ambiente de juros mais acomodados após a ata do Copom reforçar cautela com a inflação, mas sem fechar a porta para cortes futuros.
Ainda assim, o avanço do índice foi limitado pelo desempenho das principais empresas da bolsa. Vale recuou 0,34%, enquanto Petrobras também fechou em baixa, refletindo o movimento de queda do petróleo na sessão.
Maiores altas e baixas do Ibovespa
O destaque do dia ficou concentrado em empresas ligadas a commodities metálicas e consumo.
Maiores altas:
- Ambev: +15,30%
- Usiminas: +5,10%
- Gerdau: +4,86%
- Metalúrgica Gerdau: +4,16%
Maiores baixas:
- Braskem: -2,00%
- MBRF: -1,94%
- WEG: -1,85%
O salto expressivo de Ambev veio após a divulgação de resultados do primeiro trimestre, que foram bem recebidos pelo mercado.
Cotação do dólar hoje
O dólar perdeu força frente ao real, em um dia de leve melhora no apetite por risco, apesar do cenário ainda incerto no exterior.
No mercado internacional, o petróleo recuou, mas segue elevado:
- Brent: -3,99% (US$ 109,87)
- WTI: -3,90% (US$ 102,27)
Em Nova York, as bolsas fecharam sem direção única:
- Dow Jones: +0,18% (38.440 pontos)
- S&P 500: -0,07% (5.048 pontos)
- Nasdaq: -0,12% (15.662 pontos)
A queda do petróleo ajudou a aliviar parte das preocupações inflacionárias, mas o nível ainda acima de US$ 100 mantém a pressão sobre juros e câmbio.
Petróleo e geopolítica ainda limitam recuperação
Apesar do alívio pontual, o cenário externo segue sendo o principal fator de risco para os mercados.
As negociações entre Estados Unidos e Irã continuam sem avanço concreto, e o Estreito de Ormuz permanece praticamente fechado para o tráfego comercial, o que mantém o prêmio de risco elevado nos preços da energia.
Matthew Ryan, da Ebury, destaca que os desdobramentos da guerra continuam sendo determinantes para os ativos, enquanto Nicolas Gass, da GT Capital, avalia que a melhora recente do Ibovespa ainda precisa se provar sustentável diante de um ambiente global instável.
Com isso, o Ibovespa até ensaia uma reação, mas segue dependente de sinais mais claros de descompressão no petróleo e na geopolítica para retomar uma trajetória mais consistente de alta.
Com Estadão Conteúdo