Ibovespa estreia o segundo semestre com cautela e recua após novos ruídos locais
O Ibovespa começou o segundo semestre longe do clima de recomeço esperado pelos investidores. Após encerrar os primeiros seis meses do ano com valorização acumulada, o principal índice da Bolsa brasileira caiu 0,20% nesta quarta-feira (1º), aos 171.688,61 pontos, pressionado pelo aumento da aversão ao risco no mercado doméstico. O índice oscilou entre a mínima de 169.665,53 pontos e a máxima de 172.098,36 pontos, enquanto o volume financeiro somou R$ 21,5 bilhões.
O pregão foi marcado por maior cautela após o governo dos Estados Unidos anunciar sanções contra dois cidadãos brasileiros e três empresas por supostas ligações com o PCC. O movimento pressionou os ativos locais, somando-se às preocupações com o cenário eleitoral e ao fortalecimento global do dólar, embora as perdas na Bolsa tenham sido limitadas pelo desempenho misto das blue chips.
Cotação do dólar hoje
- Dólar comercial: R$ 5,20
- Variação: alta
Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o dólar voltou a operar acima de R$ 5,20 impulsionado pelo fortalecimento global da moeda americana após o relatório ADP indicar um mercado de trabalho ainda resiliente nos Estados Unidos. Na avaliação do especialista, esse cenário reforçou a expectativa de juros elevados por mais tempo na maior economia do mundo.
Fechamento das bolsas americanas
- Dow Jones: -0,03%
- S&P 500: -0,22%
- Nasdaq: -0,66%
Em Nova York, os principais índices encerraram o dia no vermelho, com investidores ajustando posições antes da divulgação do payroll e monitorando os próximos passos da política monetária do Federal Reserve.
Maiores altas e baixas do Ibovespa
Entre os destaques positivos, Itaú Unibanco (ITUB4) figurou entre as maiores altas do índice, enquanto Vale (VALE3) encerrou próxima da estabilidade e ajudou a limitar as perdas do mercado.
Na ponta negativa, Banco do Brasil (BBAS3) liderou as baixas entre os grandes bancos, enquanto Petrobras (PETR4) perdeu força acompanhando o recuo do petróleo. O setor de varejo também foi pressionado pela abertura da curva de juros ao longo da sessão.
Apesar do recuo, o movimento foi relativamente contido. Segundo Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, o mercado tinha fundamentos para um pregão mais positivo após a sequência de indicadores que apontaram desaceleração da atividade econômica, como o IPCA-15, o IGP-M e o Caged. No entanto, a combinação entre as sanções anunciadas pelos Estados Unidos, o fortalecimento global do dólar e as preocupações com o cenário eleitoral elevou a percepção de risco e limitou o desempenho dos ativos brasileiros.
A última cotação do Ibovespa, referente ao pregão de terça-feira (30), foi de 172.024,12 pontos, com queda de 0,68%.