Ibovespa fecha perto da estabilidade, mas amarga 9ª queda seguida
O Ibovespa conseguiu reduzir boa parte das perdas na reta final desta sexta-feira (14), mas não escapou do vermelho e completou nove pregões consecutivos de queda, a maior sequência negativa em três anos. O principal índice da B3 recuou 0,10%, aos 166.934,20 pontos, em um dia ainda marcado pela saída de investidores estrangeiros, pelas preocupações com o cenário eleitoral e pelo aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
A recuperação depois das 16h levou o índice novamente para a região dos 166 mil pontos, mas não foi suficiente para mudar um mês que, até agora, não teve sequer um pregão de alta. Na semana, o Ibovespa acumulou queda de 3,23% e, em agosto, já perde 6,22%.
Cotação do dólar hoje
- Dólar comercial: fechou em alta de 0,52%, cotado a R$ 5,2199, no quinto pregão consecutivo de valorização frente ao real. A moeda chegou a R$ 5,248 na máxima da sessão.
O avanço acompanhou a continuidade da saída de capital estrangeiro da bolsa e as preocupações com uma possível escalada na relação comercial entre Brasil e Estados Unidos.
Estrangeiro continua deixando a bolsa brasileira
A sequência negativa permanece concentrada especialmente no mercado brasileiro. Enquanto o EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado em Nova York, caminhava para sua pior semana desde junho, índices mais amplos de mercados emergentes apresentavam desempenho positivo.
O fluxo estrangeiro segue como uma das principais pressões sobre os preços. A decisão do JPMorgan de reduzir a recomendação para ações brasileiras de compra para neutra aumentou o movimento de ajuste das carteiras, enquanto parte dos investidores também realiza lucros acumulados no início do ano e direciona recursos para empresas de tecnologia em outros mercados.
Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset, avalia que a recuperação observada na parte final do pregão teve características principalmente técnicas, já que não houve uma nova informação capaz de justificar uma mudança mais consistente de humor.
Eleições e tarifaço aumentam cautela
O início oficial das campanhas eleitorais neste fim de semana também mantém investidores mais defensivos. O mercado busca, sobretudo, sinalizações mais claras dos candidatos sobre política fiscal e condução econômica a partir de 2027.
A cautela aumentou ainda com a decisão do governo brasileiro de acionar a Lei de Reciprocidade em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos. O receio é de que uma eventual escalada da disputa comercial provoque impactos sobre câmbio, investimentos e atividade econômica.
No exterior, Wall Street também perdeu força nesta sexta-feira após dados mais fracos da economia americana e nova alta do petróleo.
Fechamento das bolsas americanas
- Dow Jones: queda de 0,20%, aos 53.732,41 pontos;
- S&P 500: baixa de 0,17%, aos 7.785,58 pontos;
- Nasdaq: recuo de aproximadamente 0,28%, aos 26.729,16 pontos.
A queda ocorreu depois de os índices renovarem recordes ao longo da semana. Dados mais fracos das vendas no varejo aumentaram as dúvidas sobre a força da economia americana, enquanto a valorização do petróleo voltou a trazer preocupações inflacionárias.
Com o resultado desta sexta-feira, o Ibovespa continua destoando de outros mercados emergentes e entra na segunda metade de agosto ainda dependente de uma reversão do fluxo estrangeiro para interromper a sequência de perdas.
A última cotação do Ibovespa, referente ao pregão de quinta-feira (13), foi de 167.100,95 pontos, com queda de 0,23%.
Com Estadão Conteúdo