Azul (AZUL3) vê prejuízo dobrar no 2T26; combustível e menor capacidade pesam
A Azul (AZUL3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com um contraste importante no balanço. Mesmo com uma redução de 10,6% na capacidade, a companhia alcançou receita recorde para um segundo trimestre, de R$ 4,98 bilhões. O avanço, porém, não foi suficiente para compensar a forte alta do combustível e a menor diluição dos custos fixos, e o prejuízo líquido ajustado mais que dobrou, para R$ 1,07 bilhão.
O Ebitda caiu 55,4% na comparação anual, para R$ 510,1 milhões, enquanto a margem Ebitda recuou de 23,1% para 10,2%. Já os custos e despesas operacionais cresceram 12,6%, chegando a R$ 5,14 bilhões.
A própria companhia resume o trimestre como um período particularmente difícil para a rentabilidade. No release oficial, o CEO John Rodgerson afirma que “o segundo trimestre é historicamente o período mais desafiador do ano para rentabilidade no Brasil, e o 2T26 foi adicionalmente impactado pela elevação dos preços do combustível e pela Copa do Mundo”.
Combustível muda a conta do trimestre
O maior peso veio do querosene de aviação. O preço médio do combustível por litro subiu 61,8%, para R$ 6,25, enquanto a despesa total com combustível aumentou 41,2%, alcançando R$ 1,96 bilhão.
A companhia conseguiu amenizar parte desse impacto porque consumiu 12,7% menos combustível no trimestre, reflexo da capacidade menor e da utilização crescente de aeronaves mais eficientes. Ainda assim, o custo por assento-quilômetro oferecido, o CASK, aumentou 26%, para R$ 44,80 centavos.
A redução de capacidade também teve um efeito colateral. Com menos voos, os custos fixos passaram a ser distribuídos sobre uma base menor, pressionando temporariamente os custos unitários.
No trimestre, a capacidade doméstica caiu 6,5%, enquanto a internacional recuou 24,9%. O número de passageiros transportados diminuiu 9,1%, para 7,25 milhões.
Mesmo com menos assentos disponíveis, a Azul elevou a tarifa média em 9,5%, para R$ 628,90, e o yield avançou 12,9%. Isso ajudou o RASK, indicador de receita por assento-quilômetro, a atingir R$ 43,41 centavos, recorde para um segundo trimestre.
Azul prioriza rentabilidade em vez de volume
A decisão de voar menos faz parte da estratégia adotada durante a reestruturação.
Segundo a companhia, a redução da oferta foi aprofundada depois da alta dos combustíveis, com o objetivo de preservar liquidez e concentrar os voos nas rotas e clientes com melhor retorno.
Rodgerson afirma no release que os ajustes permitiram “alinhar a capacidade à demanda mais rentável, sustentar yields mais elevados e alcançar RASK recorde”.
Essa estratégia aparece também no desempenho do segmento premium. Mesmo com a capacidade total 10,6% menor, as receitas premium cresceram 12,4% frente ao mesmo período de 2025.
A receita de passageiros ficou praticamente estável, em R$ 4,56 bilhões, enquanto cargas e outras receitas avançaram 15,1%, para R$ 418,1 milhões. A operação logística cresceu 16,1%, apoiada pelo melhor desempenho dos cargueiros e do negócio de fretamento.
Dívida cai após reestruturação
Se os custos operacionais pressionaram o trimestre, o balanço patrimonial trouxe um sinal mais favorável.
A dívida total terminou junho em R$ 21,4 bilhões, redução de aproximadamente R$ 13 bilhões em relação ao mesmo período do ano anterior, reflexo da conclusão da reestruturação financeira.
A relação entre dívida líquida e Ebitda, considerando a liquidez disponível, ficou em 3 vezes, uma melhora de 2,3 vezes frente ao ano anterior. Considerando a liquidez imediata, a alavancagem líquida ficou em 2,8 vezes.
A Azul encerrou o período com R$ 3,7 bilhões em liquidez imediata, embora tenha desembolsado R$ 794,5 milhões em itens não recorrentes ligados à reestruturação, como devoluções de aeronaves, transições de frota e honorários.
A empresa também destacou a aprovação de até R$ 4,6 bilhões em linhas de financiamento de longo prazo em reais, valor superior ao previsto originalmente em seu plano de reestruturação.
O que a Azul espera para o segundo semestre
A administração considera que parte das pressões observadas no 2T26 deve ser temporária.
A expectativa é que a disponibilidade da frota se estabilize e que a companhia volte a apresentar crescimento moderado de capacidade a partir do quarto trimestre. Com mais aeronaves disponíveis, a Azul espera conseguir diluir melhor os custos fixos e capturar maior alavancagem operacional.
“À medida que a disponibilidade de frota se estabilizar e um crescimento moderado da capacidade for retomado a partir do 4T26, espera-se que essas pressões temporárias diminuam”, afirma a administração no release. O foco para os próximos meses continuará concentrado em geração de caixa, redução da alavancagem e melhoria da eficiência operacional.
Para a Azul (AZUL3), portanto, o 2T26 mostrou uma operação capaz de sustentar receita mesmo com menor oferta, mas ainda pressionada por um combustível muito mais caro e por custos unitários elevados. A recuperação das margens dependerá agora da estabilização da frota, da evolução do preço do QAV e da capacidade de transformar a reestruturação financeira em geração de caixa mais consistente.