Ibovespa perde os 190 mil e cai quase 1% com aversão ao risco global
O Ibovespa encerrou esta segunda-feira (23) em queda de 0,88%, aos 188.853,49 pontos, devolvendo parte dos ganhos recentes e acompanhando o movimento de aversão ao risco no exterior. O índice chegou a renovar máxima histórica intradia, tocando os 191.002,54 pontos no início da tarde, mas perdeu força ao longo do pregão e voltou para abaixo da linha dos 190 mil.
O giro financeiro somou R$ 31,6 bilhões. Após o recorde da última sexta-feira, quando fechou acima de 190 mil pontos pela primeira vez, o movimento desta sessão foi interpretado como realização de lucros, em meio às novas incertezas envolvendo a política tarifária dos Estados Unidos.
Em Nova York, o clima também foi negativo. Dow Jones caiu 1,66%, S&P 500 recuou 1,04% e Nasdaq perdeu 1,13%, refletindo o desconforto dos investidores com o anúncio de elevação das tarifas globais de 10% para 15% pelo governo americano.
Segundo Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, “o mercado brasileiro cai em linha com o mercado norte-americano por conta de um movimento global de aversão a risco disparado pelas incertezas em relação à política de comércio exterior norte-americana”. Para ele, a sucessão de anúncios tarifários reforça a percepção de imprevisibilidade na maior economia do mundo, com potenciais impactos sobre o crescimento global.
Na avaliação de Fernando Bresciani, analista de investimentos do Andbank, o dia foi típico de realização. “Hoje é um dia mais de realização nas bolsas, por conta do evento tarifário do Trump, com a discussão de elevar as tarifas de 10% para 15% e as incertezas que isso traz”, afirmou. Ele destacou que, apesar da queda do índice, Petrobras e Vale subiram e ajudaram a limitar perdas mais intensas.
Cotação do dólar hoje
O dólar à vista fechou com leve alta de 0,10%, a R$ 5,183, após oscilar no campo negativo durante boa parte do pregão. No exterior, o índice DXY recuou 0,08%, aos 97,706 pontos.
• Dow Jones: -1,66% — 49.451,98 pontos
• S&P 500: -1,04% — 6.832,76 pontos
• Nasdaq: -1,13% — 22.597,15 pontos
Bruno Shahini, economista da Nomad, afirmou que o dólar chegou a ser negociado próximo de R$ 5,15 durante a sessão, acompanhando a queda dos rendimentos das Treasuries, mas virou no fim do dia.
Maiores altas e baixas
Entre os pesos-pesados, Vale (VALE3) subiu 0,67% e Petrobras (PETR4) avançou 1,53%, ajudando a amortecer o recuo do índice. Já os bancos pressionaram o desempenho do Ibovespa, com destaque para Itaú (ITUB4), que chegou a recuar de forma expressiva ao longo do dia.
No cenário doméstico, o Relatório Focus trouxe revisão das projeções para 2026: o IPCA caiu de 3,95% para 3,91% e a estimativa para a Selic recuou de 12,25% para 12,13%.
Após uma sequência de recordes e forte valorização no ano, o Ibovespa passa agora por um ajuste técnico, ainda sustentado por fluxo estrangeiro positivo no mês, mas mais sensível ao noticiário externo e às incertezas tarifárias.