Ibovespa oscila com crise na Venezuela e petróleo entra no radar do investidor
O Ibovespa encerrou esta segunda-feira em leve baixa, refletindo um pregão marcado por cautela apesar da alta das commodities no mercado internacional. O principal índice da B3 fechou aos 160.538,69 pontos, com queda de 0,36%, em um dia em que o noticiário geopolítico voltou a pesar sobre o humor dos investidores após a ação dos Estados Unidos na Venezuela.
A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro no fim de semana trouxe incerteza adicional aos mercados globais. Mesmo com bolsas do Ocidente operando majoritariamente em alta e com valorização do petróleo e do minério de ferro, o Ibovespa seguiu sem força para avançar, refletindo a postura defensiva do investidor local diante dos desdobramentos diplomáticos e de seus possíveis efeitos econômicos.
Ibovespa sente aumento da volatilidade com crise na Venezuela
Para Marcelo Bolzan, planejador financeiro e sócio da The Hill Capital, o primeiro impacto da ação militar é imediato sobre a percepção de risco. “A principal consequência é o aumento da incerteza, o que tende a elevar a volatilidade no curto prazo. Os preços do petróleo devem ficar pressionados nesse primeiro momento”, avalia.
Embora a Venezuela tenha se tornado menos relevante do ponto de vista econômico global nas últimas décadas, o país volta ao radar por concentrar uma das maiores reservas de petróleo do mundo. Hoje, porém, sua produção responde por cerca de 1% da oferta global, patamar muito distante do potencial histórico.
Segundo Bolzan, o ponto mais sensível para o mercado não está apenas no choque inicial, mas na possibilidade de mudanças estruturais adiante. “No médio e longo prazo, existe expectativa de aumento da produção venezuelana. Se isso acontecer, a oferta global pode crescer de forma significativa, derrubando os preços do barril”, afirma.
Ibovespa reflete impacto do petróleo e pressiona Petrobras (PETR4)
Esse cenário ajuda a explicar o desempenho das ações da Petrobras (PETR4), que recuaram mesmo com o petróleo em alta no exterior. Para o analista, a estatal brasileira é diretamente impactada por qualquer perspectiva de queda sustentada do preço da commodity.
“A Petrobras é uma empresa exportadora e segue a paridade de preços internacionais. Um petróleo mais barato reduz a margem de lucro e o faturamento das exportações”, diz Bolzan, ressaltando que esse efeito atinge todo o setor de óleo e gás.
Ainda assim, ele pondera que a companhia possui um diferencial relevante. “O grande trunfo da Petrobras é o baixo custo de extração. Isso limita o impacto negativo mesmo em um cenário de preços mais baixos”, afirma.
Petróleo mais barato pode aliviar inflação e juros
Se para as petrolíferas o cenário tende a ser mais desafiador, para a economia brasileira e global o efeito pode ser distinto. De acordo com Bolzan, um petróleo mais barato tende a aliviar pressões inflacionárias, abrindo espaço para juros mais baixos, o que pode estimular o crescimento do PIB.
Nesse contexto, o investidor segue atento à agenda da semana, que inclui a divulgação do IPCA de dezembro e de 2025 no Brasil, além do relatório oficial de emprego dos Estados Unidos. Em um ambiente já sensível a riscos geopolíticos, esses dados ganham peso adicional na definição das expectativas para política monetária e ativos de risco, com impacto direto sobre o Ibovespa.
Com Estadão Conteúdo