Ibovespa derrete 2,28% em reação à reforma do IR; Via (VIIA3) afunda 6% e bancos também caem

Ibovespa derrete 2,28% em reação à reforma do IR; Via (VIIA3) afunda 6% e bancos também caem
Foto: Pixabay

Na contramão de Wall Street, o Ibovespa hoje despencou 2,28%, recuando a 116.677,08 pontos, com o mau humor após a aprovação do texto-base da reforma do Imposto de Renda (IR) e da emenda que estabelece uma taxação de 15% sobre dividendos. Ações de bancos despencaram e as da Via (VIIA3) também foram impactadas, junto com as do varejo.

O giro financeiro foi de R$ 34,0 bilhões na sessão e, na semana, o Ibovespa amplia as perdas a 3,32%, com 1,77% de baixa nestes dois primeiros dias de setembro – no ano, mais uma vez o índice oscila para o negativo (-1,97%).

Foi a primeira vez desde 20 de agosto que a referência da B3 voltou a operar abaixo de 117 mil pontos no intradia, atingindo nesta quinta o menor fechamento desde 18 de agosto (116.642,62), que havia sido o pior desde 1º de abril (115.253,31). Em porcentual, foi a maior queda desde 30 de julho (-3,08%).

A queda das grande empresas tem relação com trechos específicos da reforma do IR. Além de estabelecer um imposto sobre dividendos, o projeto prevê o fim de juros sobre capital próprio (JCP). A aprovação pesou especialmente sobre o setor bancário — que utiliza a modalidade para remunerar acionistas — e e no Ibovespa.

“As grandes empresas têm formas de diluir esse processo de tributação de dividendos. Naturalmente, as incertezas ainda existem. O mercado não gosta desse tipo de reforma, porque afeta o miolo da economia que são as empresas que faturam acima de R$ 4,8 milhões até 74 milhões, e não terão isenção de dividendos,” afirmou Jansen Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos.

Movimentação do Ibovespa hoje

As ações de bancos caíram em bloco nesta quinta-feira (2), enquanto o mercado digeria a reforma do IR. Santander Brasil (SANB11) figurou entre as maiores baixas hoje, recuando 5%; seguido de Banco do Brasil (BBAS3), 4%. Itaú Unibanco (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) cederam 3%.

A Ambev (ABEV3), outra impactada negativamente pelo fim do instrumento de JCP, afundou 4%.

Ainda na ponta negativa do Ibovespa, estão setores com exposição à economia doméstica, como Cielo (-6,47%), Via Varejo (-6,13%) e Lojas Americanas (-5,86%), refletindo também os fracos dados. No lado oposto, poucas empresas se descolaram do sentimento negativo, entre as quais Assaí (+2,99%), Engie (+1,03%) e PetroRio (+0,75%).

Entre os maiores perdedores do dia, os bancos, caindo “no fato”, pressionados pelo “fim do JCP (juros sobre capital próprio) e o corte menor do que o esperado da CSLL”, observa Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora. Entre as maiores instituições, destaque para queda de 5,23% na Unit do Santander, de 4,14% para BB ON e de 3,81% em Bradesco ON.

O papel do Assaí (ASAI3) liderou as poucas altas do Ibovespa hoje, depois de a rede de varejo anunciar a conclusão da venda de dois dos cinco imóveis negociados em julho, por R$ 134,5 milhões. Foi a única do setor de varejo que não despencou neste dia pesado de mau humor após a reforma do IR.

Ibovespa derrete 2% em reação à reforma do IR; Via (VIIA3) afunda 6%
Ibovespa hoje. Foto: Reprodução Status Invest

Maiores altas do Ibovespa 

As maiores altas do Ibovespa no dia de hoje foram:

Maiores baixas do Ibovespa 

As maiores baixas do Ibovespa no dia de hoje foram:

Notícias que movimentaram a bolsa de valores 

  • Câmara reduz taxação de dividendos
  • Hering deixará de ser negociadas na B3
  • Risco de racionamento aumenta para 17,2%

Câmara reduz de 20% para 15% taxação de dividendos

A Câmara dos Deputados aprovou na tarde de hoje a emenda à reforma do Imposto de Renda que reduz, de 20% para 15%, a alíquota da tributação sobre lucros e dividendos. O placar ficou em 319 votos favoráveis contra 140 contrários.

A proposta para instituir uma alíquota de 20% constava no texto-base da reforma do Imposto de Renda, aprovado nesta quarta-feira (1). Pessoas físicas estão isentas da tributação de lucros e dividendos desde 1996.

Ações da Hering (HGTX3) deixarão de ser negociadas na B3 em 20 de setembro

As ações da Cia. Hering (HGTX3) serão substituídas por ações do Grupo Soma (SOMA3) como parte do processo de combinação de negócios A substituição das ações está prevista para acontecer em 20 de setembro.

A operação começará com a troca das ações ordinárias da Hering por ações preferenciais da companhia de capital fechado Cidade Maravilhosa, o que deve ocorrer no dia 17. Posteriormente, os papéis serão incorporados às ações SOMA3 e os acionistas migrarão para o quadro acionário do Soma.

Risco de racionamento de energia aumenta de 5,5% para 17,2%, na análise da XP

O Brasil vive a pior crise hídrica dos últimos 91 anos. Desde abril, o nível de chuva está abaixo da média e os rios que abastecem os reservatórios das hidrelétricas estão cada vez mais secos. De acordo com a XP, em agosto, o cenário hidrológico brasileiro piorou significativamente, a ponto do risco de racionamento mais que dobrar.

“A piora em relação às nossas expectativas anteriores pode ser explicada por uma ENA (quantidade de água que chega às hidrelétricas, em unidade de energia) significativamente menor. Como resultado, atualizamos nossas estimativas e vemos a probabilidade de racionamento nos próximos 12 meses aumentar para 17,2% de 5,5%.”

Desempenho dos principais índices 

Além do Ibovespa, confira o fechamento dos principais índices da bolsa hoje:

  • Ibovespa hoje: -2,28% / 116.677,08
  • IFIX hoje: -0,19% / 2.745,42
  • IBRX hoje: -2,03% / 50.118,26
  • SMLL hoje: -2,07% / 2,786,57
  • IDIV hoje: -2,41% / 6.676,77

Última cotação do Ibovespa

No fechamento do pregão da terça (31), o Ibovespa subiu 0,52%, a 119.395 pontos.

(Com Agência Câmara de Notícias e Estadão Conteúdo)

Arthur Guimarães

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