Ibovespa recua após recordes e volta aos 187 mil com pressão de Petrobras (PETR4)
Depois de flertar com os 190 mil pontos e renovar máximas históricas, o Ibovespa pisou no freio nesta quinta-feira, 12, e devolveu parte dos ganhos recentes. O índice caiu 1,02% e encerrou aos 187.766 pontos, após oscilar entre 189.989,97 na máxima e 186.959,07 na mínima do dia. O volume financeiro somou R$ 36,3 bilhões, em uma sessão marcada por realização de lucros e aversão a risco no exterior.
A queda ocorre após o 11º recorde nominal do ano registrado na véspera. Mesmo com o recuo, o Ibovespa ainda acumula valorização relevante em 2026, sustentado principalmente pelo forte fluxo estrangeiro observado nas últimas semanas.
Cotação do dólar hoje
O dólar fechou em alta de 0,25%, a R$ 5,20, acompanhando o ambiente mais defensivo no exterior e a migração para ativos considerados seguros.
Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o dólar chegou a renovar mínimas intradiárias, tocando R$ 5,15, o menor nível desde maio de 2024, impulsionado pelo fluxo global em direção a emergentes. No entanto, ao longo da sessão, o ambiente externo entrou em modo mais defensivo, com claro movimento de aversão a risco. Ele destaca que, apesar do vetor estrutural via carry e fluxo ainda favorável ao real, o tom de busca por proteção limitou a pressão adicional de baixa sobre o câmbio no fim do dia.
Fechamento das bolsas americanas:
- Dow Jones: 49.451,98 pontos, queda de 1,34%
- S&P 500: 6.832,76 pontos, recuo de 1,57%
- Nasdaq: 22.597,15 pontos, baixa de 2,04%
Em Nova York, o setor de tecnologia voltou a liderar as perdas, em meio a preocupações com margens, investimentos elevados em inteligência artificial e expectativas para o CPI.
Maiores altas e baixas
Na B3, o peso maior veio das blue chips. Petrobras (PETR3; PETR4) caiu 3,09% e 2,55%, respectivamente, pressionada pelo enfraquecimento do petróleo. Itaú (ITUB4) também recuou, refletindo realização após ganhos recentes. Santander (SANB11) tombou 4,88%, enquanto Vale (VALE3) caiu cerca de 1% às vésperas do balanço.
Entre as maiores quedas do índice apareceram Raízen (RAIZ4) e Braskem (BRKM5), esta última pressionada por preocupações com sua situação financeira.
Na ponta positiva, Assaí (ASAI3) liderou os ganhos, com alta de 5,09%, seguido por Ambev (ABEV3), que avançou 4,76%, e Banco do Brasil (BBAS3), com valorização de 4,50%, reagindo melhor do que o esperado aos resultados trimestrais.
O movimento do dia refletiu menos mudança estrutural e mais ajuste técnico após a forte sequência de altas. Com tecnologia pressionando Wall Street, dólar firme e investidores aguardando dados de inflação nos Estados Unidos, o Ibovespa entrou em compasso de espera, mas ainda em patamar historicamente elevado.