Ibovespa sente tombo de Petrobras (PETR4), cai na semana e esfria corrida aos 200 mil

O Ibovespa terminou a sexta-feira (17) em queda e interrompeu o embalo que havia levado o índice a flertar com os 200 mil pontos nos últimos pregões. Pressionado principalmente pelo tombo das ações da Petrobras (PETR3; PETR4), o principal índice da B3 recuou 0,55%, aos 195.733,51 pontos, em mais uma sessão de correção moderada após o recorde de fechamento visto no começo da semana.

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O movimento desta sexta-feira teve um ingrediente curioso: enquanto as bolsas no exterior fecharam majoritariamente em alta, sustentadas pela reabertura do Estreito de Ormuz e por sinais de alguma distensão no Oriente Médio, a bolsa brasileira ficou na contramão. No intradia, o índice chegou a 198.665,65 pontos na máxima, mas perdeu força ao longo do dia e foi à mínima de 195.367,90 pontos.

Na semana, o Ibovespa caiu 0,81%, encerrando uma sequência de três altas semanais. Ainda assim, o saldo segue positivo: o índice sobe 4,41% em abril e acumula valorização de 21,48% em 2026.

Petrobras (PETR4) pesa e segura o Ibovespa

A principal razão para a perda do Ibovespa foi o desempenho das ações ligadas ao petróleo. A reabertura do Estreito de Ormuz e a melhora do humor externo provocaram forte correção da commodity, o que bateu em cheio no setor de energia na B3.

No fechamento, Petrobras (PETR3) caiu 5,31% e Petrobras (PETR4) recuou 4,86%, depois de perdas ainda mais intensas ao longo da sessão. Outras empresas do setor também sofreram, como Brava Energia (BRAV3), em queda de 6,28%, e PetroReconcavo (RECV3), que cedeu 4,12%.

Essa pressão acabou sendo grande demais para o índice, mesmo com o bom desempenho de outras blue chips. Vale (VALE3) subiu 2,64%, fechando na máxima do dia, enquanto bancos como Bradesco (BBDC4) avançaram até 1,97%.

Cotação do dólar hoje

O dólar acompanhou o alívio externo e voltou a cair nesta sexta-feira. A moeda americana encerrou o dia em baixa de 1,03%, a R$ 5,0115, depois de tocar mínima de R$ 5,0055.

Na semana, a divisa acumulou recuo de 2,88%, enquanto em abril a queda já chega a 3,23%. O movimento reflete a retirada de prêmios de risco, o fortalecimento do fluxo estrangeiro para o Brasil e a percepção de que o país continua relativamente bem posicionado entre emergentes, mesmo em um ambiente ainda sensível no exterior.

Em Nova York, os índices fecharam no azul:

  • Dow Jones: +1,79%, aos 40.105 pontos
  • S&P 500: +1,20%, aos 5.355 pontos
  • Nasdaq: +1,52%, aos 16.365 pontos

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Exterior sobe, mas B3 fica para trás

A sessão mostrou um descasamento claro entre o Brasil e o exterior. O mercado internacional reagiu bem ao anúncio da reabertura do Estreito de Ormuz durante o período restante do cessar-fogo entre Líbano e Israel, movimento que ajudou a derrubar o prêmio de risco global.

Segundo Bruna Sene, analista de renda variável da Rico, a semana acabou sendo marcada por uma virada importante no humor dos investidores. O que começou sob forte tensão geopolítica terminou com ambiente mais favorável ao risco, ainda que sem convicção plena.

Esse alívio, porém, teve um efeito colateral relevante para a bolsa brasileira: ao reduzir o preço do petróleo, retirou justamente o suporte que vinha ajudando a sustentar o índice nas últimas semanas.

Rachel de Sá, estrategista de investimentos da XP, resumiu bem esse contraste ao observar que a melhora geopolítica beneficiou o apetite por risco, mas pressionou a precificação da Petrobras (PETR4) e, por tabela, do próprio índice.

Volatilidade segue no radar

Mesmo com a correção da semana, o pano de fundo segue sendo de forte valorização para a bolsa brasileira em 2026. Ainda assim, o mercado já começa a calibrar melhor o entusiasmo, especialmente depois do rali que levou o Ibovespa até a porta dos 200 mil pontos.

Como resumiu Josias Bento, sócio da GT Capital, a tendência é que a volatilidade continue elevada no curto prazo, sobretudo nas commodities, já que os desdobramentos no Oriente Médio seguem sendo o principal vetor para petróleo, câmbio e bolsa.

Com isso, o Ibovespa fecha a semana pressionado pelo setor de energia, mas ainda em um patamar historicamente elevado — agora tentando reencontrar fôlego sem o empurrão recente de Petrobras (PETR4) e com os 200 mil pontos ainda no radar do Ibovespa.

Com Estadão Conteúdo

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Maíra Telles

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