Ibovespa ainda está “barato”? Veja se vale a pena investir na bolsa agora
Mesmo após a sequência de altas no início de 2026, o Ibovespa segue negociando a níveis considerados atrativos por gestores e analistas. Na carta mensal de fevereiro, divulgada nesta segunda-feira (9), a Suno aponta que o rali recente não foi suficiente para eliminar totalmente o desconto histórico do mercado brasileiro.
Em janeiro, o Ibovespa acumulou uma valorização acima de 12%, uma das melhores performances entre os principais mercados globais. Ainda assim, segundo o relatório, o avanço do índice representa apenas uma reprecificação parcial, puxada sobretudo pela volta do investidor estrangeiro.
Por que o Ibovespa ainda é visto como barato?
De acordo com os analistas da Suno, mesmo após a alta, o mercado acionário brasileiro continua negociando abaixo de suas médias históricas em termos de valuation. Além disso, o crescimento dos lucros das empresas passou a justificar valorizações maiores do que no passado, o que reforça a leitura de que o desconto não é apenas conjuntural, mas também comparativo.
“Em termos absolutos, múltiplos como preço/lucro permanecem abaixo de suas médias de longo prazo, sugerindo que parte relevante do desconto acumulado nos últimos anos ainda não foi totalmente eliminada”, destaca a casa.
O relatório também ressalta que o Brasil negocia a múltiplos inferiores aos de seus pares, tanto entre mercados emergentes quanto em relação às bolsas desenvolvidas. Essa diferença reflete fatores estruturais, como prêmio de risco mais elevado e volatilidade macroeconômica, mas também um histórico recente de desalocação do país em portfólios globais.
Ainda segundo a casa, o atual movimento pode ser interpretado como uma reprecificação parcial desse desconto, impulsionada por fluxos estrangeiros em busca de assimetria favorável.
Vale a pena investir agora?
Apesar da valorização recente do índice, o relatório chama atenção para a forte dispersão de performance entre as ações. Enquanto empresas de grande capitalização lideram os ganhos, companhias menores e menos líquidas seguem para trás.
Esse padrão reforça a avaliação de que o avanço do Ibovespa não reflete uma melhora generalizada dos fundamentos microeconômicos, mas sim um movimento concentrado, típico de ralis impulsionados por fluxo externo.
Com isso, na visão da Suno, o valuation ainda oferece suporte ao mercado brasileiro, mas o avanço adicional tende a exigir mais do que fluxo estrangeiro. A continuidade do rali depende, dessa forma, da consolidação de um ambiente macroeconômico mais previsível e da evolução dos resultados das companhias.
Até que isso ocorra, a liderança do mercado deve seguir concentrada nos ativos mais líquidos e representativos do índice. Ainda assim, o relatório indica que o Ibovespa segue negociando a níveis que mantêm a bolsa brasileira no radar de investidores globais em busca de oportunidades.