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Heineken acusa Ambev (ABEV3) de controle de mercado ao Cade

Heineken acusa Ambev (ABEV3) de controle de mercado ao Cade
Foto: AmbevTech Medium - reproducao

A Heineken protocolou uma petição no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) acusando a Ambev (ABEV3) de controle de mercado, fechando contratos de exclusividade com bares em mais de 10 capitais. A informação foi divulgada pelo jornal Valor Econômico.

No protocolo, a Heinken mostra um levantamento em que bares de alguns bairros inteiros têm contratos de exclusividade, e por isso não podem vender cervejas de outras marcas. No estudo, o grupo holandês identificou ao menos 11 capitais em que bares possuem esse contrato.

O Cade havia firmado com a Ambev um compromisso que limitava contratos de exclusividade de venda. A Ambev se comprometeu a limitar a 8% a quantidade de pontos de venda de cerveja, contabilizados por regiões definidas no acordo, e 10% o volume de vendas dos pontos de venda com os quais a empresa mantém algum relacionamento de exclusividade.  No entanto, esse termo expirou em 2020.

Fontes familiarizadas com a Heineken disseram ao jornal que avaliam que o Cade deve assumir uma postura mais dura dessa vez com a Ambev.

No relatório do Credit Suisse, publicado em outubro do ano passado, os analistas avaliavam que o volume de vendas de cerveja da Ambev crescia a cada trimestre.

A Ambev totalizou nos últimos 12 meses findos em outubro de 2021, 180 milhões de hectolitros, superando números recordes de 2015. A Heineken viu uma queda de 10% no volume total vendido. “Por consequência, abriu mais mercado para a Ambev”, escreveu os analistas no relatório.

A Heineken, que também possui contrato de exclusividade, argumenta que o trato, por ser adotado pela líder do mercado, impede outros fabricantes de ampliarem o canal de acesso aos bares e restaurantes.

Segundo dados de consultorias de mercado, a Ambev detém cerca de 60% das vendas de cerveja no Brasil.

Em resposta ao SUNO Notícias a Ambev disse que as práticas de mercado são regulares e respeitam a legislação concorrencial brasileira.

“Mesmo sem ter a obrigação [do compromisso com o Cade], continuamos monitorando os mesmos indicadores em todas as regiões do país e eles seguem dentro do acordado anteriormente. Na Ambev seguimos com nosso compromisso de manter um ambiente concorrencial justo e para isso contamos, há mais de uma década, com um comitê formado por membros externos que acompanha nosso programa de compliance concorrencial.”

Última cotação da Ambev

Na última sessão, terça-feira (22), a ação da Ambev encerrou o pregão em alta de 1,76%, negociada a R$ 14,43.

Poliana Santos

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