GPA (PCAR3): Venda de lojas terá impacto positivo em dividendos já em 2022, diz CEO

GPA (PCAR3): Venda de lojas terá impacto positivo em dividendos já em 2022, diz CEO
GPA - Foto: Divulgação Grupo Pão de Açúcar

O GPA (PCAR3) vendeu todas as 71 lojas do Extra ao Assaí (ASAI3) pelo valor de R$ 5,2 bilhões e saiu do segmento de hipermercados. Do valor total, parte do recurso levantado será usado para o pagamento de dividendos que acontecerá em meados de 2022. Os papéis do grupo disparavam 16,15% na manhã desta sexta-feira, às 11h30, sendo negociados a R$ 32,15.

O relatório do Goldman Sachs estima que o pagamento total de dividendos será de R$ 500 milhões. Em entrevista ao SUNO Notícias, o CEO do GPA, Jorge Faiçal, disse que não confirma esse valor, indicando que pode ser mais ou menos. No entanto, ele prevê o impacto positivo já em meados do ano que vem.

“Nós não confirmamos esse valor, ele pode ser maior ou pode ser menor. Não posso dar nenhum número aqui porque estaria falando indiretamente do lucro líquido anual e eu não tenho condição de falar nesse momento. O pagamento será comunicado da maneira certa e deve acontecer em meados do próximo ano”, disse Faiçal.

Para o Goldman Sachs, o movimento é importante para a racionalização da exposição da marca do Pão de Açúcar. Dos recursos recebidos, cerca de R$ 1,2 bilhão serão investidos em reformas, expansão da marca em categorias mais lucrativas, aceleração digital e distribuição de dividendos (aproximadamente R$ 500 milhões).

Do total de R$ 5,2 bilhões, cerca de R$ 1,5 bilhão irão para a expansão do Pão de Açúcar para o digital e reforço das 185 lojas do grupo. O restante dos recursos deve ser usado para dividendos e para desalavancagem do GPA.

Atualmente, a dívida líquida sobre o Ebitda Ajustado está em 1,7 vez, e um dos objetivos da operação é reduzir esse valor “significativamente”.

Na análise de Faiçal essa operação é única para ambas as companhias. Por um lado o Assaí teve a oportunidade de adquirir pontos estratégicos com uma possibilidade de multiplicador de venda muito acelerado com a compra de 71 lojas, “em vez de plano de expansão que poderia durar três anos.”

Já para o lado do GPA, o CEO explica que o grupo se dividia entre negócio de hipermercados e de segmento premium e decidiu então focar em seu segmento mais rentável.

“O segmento de hipermercado tem uma alta complexidade de reversão de clientes e muitas dificuldades de competição no cenário atual. Por outro lado temos negócios extremamente rentáveis, positivos e crescentes que são os mercados de proximidade, o digital e o Pão de Açúcar”, disse Faiçal.

Com base nisso, a decisão foi focalizar naquilo que era mais rentável para empresa e naquilo em que a companhia acredita que vai ter impacto no futuro. “A gente estima entre 500 a 600 lojas de atacarejo nos próximos cinco anos no Brasil e essa reflexão nos leva a antecipar esse movimento e focar naquilo que realmente tem futuro”, concluiu.

Conforme o fato relevante, do preço totaVl estimado da transação, uma parte de R$ 4 bilhões será parcelada pelo Assaí ao GPA, entre dezembro de 2021 e janeiro de 2024.

Transação entre Assaí e GPA inclui memorando  de imóveis

O acordo do Pão de Açúcar com a Sendas Distribuidora, controladora do Assaí, inclui um memorando de entendimentos vinculante (MoU), que prevê a cessão ao Assaí tanto de lojas Extra Hiper em imóveis próprios como locados de terceiros, além dos respectivos contratos de locação – e pode envolver também a aquisição pelo Assaí de certos equipamentos existentes nas lojas.

No comunicado ao mercado, o Assaí informa que celebrou outro memorando de entendimentos com um fundo imobiliário “com a interveniência e garantia do Assaí, regulando a alienação de 17 (dezessete) imóveis próprios do Pão de Açúcar”.

O preço estimado de venda desses imóveis, diz o Assaí, é de R$ 1,2 bilhão e será pago pelo fundo ao GPA, perfazendo o preço total da transação: “A garantia do Assaí consiste na obrigação de pagamento pelos imóveis caso o fundo não cumpra o prazo acordado. Simultaneamente, Assaí também celebrou outro memorando de entendimentos com o fundo regulando a locação, após a conclusão da transação, dos imóveis adquiridos pelo fundo para Assaí, pelo prazo de 20 anos, renováveis por igual prazo.”

Poliana Santos

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