Fraude da Americanas: CVM aponta ex-presidente como mentor, diz jornal
A Comissão de Valores Mobiliários concluiu que o rombo contábil da Americanas foi resultado de um esquema estruturado e sustentado pela alta administração da companhia. Segundo o Valor Investe, a autarquia acusa formalmente 31 pessoas e aponta o ex-presidente Miguel Gutierrez como o principal mentor da fraude.
De acordo com o jornal, a acusação consta em um processo administrativo de 264 páginas, no qual a CVM afirma que houve ocultação deliberada de informações relevantes, divulgação de dados contábeis falsos e práticas destinadas a enganar investidores, credores e a auditoria independente. Para a autarquia, o episódio configura o maior escândalo do mercado de capitais brasileiro, tanto pelo valor envolvido quanto pela duração e pelo impacto sistêmico.
CVM afirma que esquema partiu da alta administração
Ainda segundo o Valor Investe, Miguel Gutierrez responde a seis acusações, incluindo fraude contra a auditoria e omissão de fatos relevantes. A CVM sustenta que o esquema não foi conduzido por executivos de nível intermediário, mas contou com coordenação, participação e ciência da cúpula da Americanas, afastando a tese de falhas pontuais de controle.
O processo descreve a existência de um sistema paralelo de controle financeiro, mantido por anos, utilizado para esconder dívidas bilionárias e inflar artificialmente os resultados divulgados ao mercado. Esse mecanismo teria levado investidores e instituições financeiras a tomar decisões com base em informações distorcidas, ampliando os prejuízos quando o caso veio a público.
A crise da Americanas explodiu em janeiro de 2023, quando a companhia revelou inconsistências contábeis inicialmente estimadas em cerca de R$ 20 bilhões, valor que posteriormente ultrapassou R$ 40 bilhões. O episódio levou a empresa a pedir recuperação judicial, provocou perdas bilionárias para bancos e investidores e destruiu o valor de mercado da varejista.
Apesar da gravidade das acusações, as ações da Americanas operavam em alta de cerca de 1,5% por volta do fim da manhã, segundo o jornal, refletindo movimentos pontuais do mercado enquanto o processo administrativo avança.
Segundo o Valor Investe, a leitura da CVM reforça a avaliação de que o caso da Americanas se tornou um marco negativo para a governança corporativa no Brasil, com potenciais desdobramentos em outras esferas, como ações cíveis e criminais envolvendo a companhia e seus ex-executivos.