Inflação piora e mercado já vê juros a 13%: Focus eleva IPCA de 2026 para 4,80%
O Boletim Focus desta segunda-feira (20) trouxe uma nova deterioração nas expectativas para a inflação no Brasil, ao mesmo tempo em que o mercado passou a projetar juros ainda mais elevados para 2026. O movimento reflete o impacto da alta recente do petróleo e o aumento das incertezas no cenário global.
A mediana do Focus para o IPCA de 2026 subiu novamente, passando de 4,71% para 4,80%, conforme o relatório mais recente do Banco Central . Com isso, a inflação esperada pelo mercado segue acima do teto da meta, de 4,50%, indicando uma desancoragem mais intensa das expectativas no curto prazo.
Considerando apenas as estimativas mais recentes, atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a projeção permaneceu em 4,85%, reforçando o cenário de inflação elevada e persistente.
Para 2027, a projeção também subiu, de 3,91% para 3,99%, se aproximando novamente do nível de 4%. Já para 2028, a estimativa permaneceu em 3,60%, enquanto para 2029 seguiu em 3,50%, mostrando que a piora está concentrada no horizonte mais curto.
O avanço da inflação ocorre em meio à disparada dos preços de commodities, especialmente o petróleo, em função dos conflitos no Oriente Médio — fator que pressiona combustíveis, transporte e custos ao longo da cadeia produtiva.
O Banco Central projeta que o IPCA encerre 2026 em 3,9% e que a inflação em 12 meses atinja 3,3% no terceiro trimestre de 2027, horizonte relevante da política monetária. Ainda assim, a diferença entre as projeções do mercado e da autoridade monetária indica aumento da incerteza no cenário.
Desde 2025, a meta de inflação é contínua, com centro de 3% e intervalo de tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos. Quando o índice permanece fora desse intervalo por seis meses consecutivos, considera-se que o Banco Central descumpriu o objetivo.
Boletim Focus: Selic sobe para 13% e reforça cenário de cautela
No campo dos juros, o Boletim Focus trouxe uma revisão relevante. A mediana para a Selic ao fim de 2026 subiu de 12,50% para 13,0%, após semanas de estabilidade. Considerando apenas as estimativas mais recentes, a projeção também avançou para 13,0%, indicando que o mercado passou a enxergar um ciclo de cortes mais limitado.
Para 2027, a projeção subiu de 10,50% para 11,0%, interrompendo uma sequência de 61 semanas de estabilidade. Já para 2028, a estimativa permaneceu em 10,00%, enquanto para 2029 avançou de 9,75% para 9,88%.
Na última reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic em 0,25 ponto porcentual, para 14,75% ao ano, marcando o primeiro corte em quase dois anos. Apesar disso, o Banco Central tem sinalizado cautela diante da piora das expectativas inflacionárias.
O presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, destacou recentemente a baixa visibilidade do cenário, afirmando que a postura mais conservadora da política monetária busca dar tempo para avaliar os impactos da alta do petróleo sobre os preços domésticos.
“Estamos entendendo e vamos aprender mais daqui até a próxima reunião do Copom”, disse Galípolo.
No câmbio, o Focus trouxe um movimento oposto. A projeção para o dólar ao fim de 2026 caiu de R$ 5,37 para R$ 5,30, refletindo a valorização recente do real frente à moeda norte-americana. Para os anos seguintes, as estimativas também recuaram, com o dólar projetado em R$ 5,35 em 2027, R$ 5,40 em 2028 e R$ 5,45 em 2029.