Balanços da semana

Fed mantém juros em 5,25% a 5,50% ao ano, sem indicar cortes; bolsas em NY fecham no negativo

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) manteve a taxa dos Fed Funds em 5,25% a 5,50% ao ano, em comunicado divulgado nesta quarta-feira, 31. A decisão do BC dos Estados Unidos foi unânime e está em linha com as expectativas do mercado financeiro.

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O Fed ainda manteve a taxa de juros paga sobre saldo de reserva em 5,4%, decisão que entra em vigor a partir da quinta-feira, 1º de fevereiro, e a taxa de desconto ficou inalterada em 5,50% ao ano.

O Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) destacou em comunicado, após manter os juros inalterados, que a economia norte-americana está avançando a um “ritmo sólido”, e que os riscos para atingir o “máximo de emprego” a uma inflação de 2% ao ano estão atingindo um equilíbrio melhor, apesar do futuro “permanecer incerto”.

“O Comitê do Fed não espera que seja apropriado reduzir juros até que tenha ganhado mais confiança de que a inflação está voltando de forma sustentada aos 2% ao ano”, afirma o texto, ao pontuar que a taxa de desemprego permaneceu baixa, enquanto a inflação continuou sua trajetória descendente.

Segundo o comunicado, o Fed vai continuar analisando cautelosamente os próximos dados e a evolução dos riscos, e também permanece com seu plano de reduzir seu balanço de acordo com os planos anunciados anteriormente.

Bolsas fecham em queda após Fed

As Bolsas de Nova York fecharam em queda forte hoje, depois do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, sinalizar que os juros não serão cortados na reunião de março. Investidores também monitoraram a temporada de balanços em curso, que hoje teve resultados de Mastercard e Boeing.

O índice Dow Jones encerrou em baixa de 0,82%, a 38.150,30 pontos. O S&P 500 cedeu 1,61%, a 4.845,65 pontos. O Nasdaq recuou 2,23%, a 15.164,01 pontos.

Apesar do recuo de hoje, o acumulado do mês foi positivo para os índices, em meio às recentes máximas do Dow Jones e S&P 500, insuflados pelo setor de tecnologia, que também trouxe ganhos robustos ao Nasdaq no somatório do mês. Em janeiro, o Dow Jones subiu 1,22%, o S&P 500 ganhou 1,59% e o Nasdaq avançou 1,02%.

A decisão de juros do Fed hoje não teve surpresas e manteve as taxas inalteradas, mas a coletiva de Powell fez o mercado recalcular sua rota, depois do presidente da instituição dizer que não acha que haverá confiança suficiente para cortarem juros na próxima reunião, em março. A curva futura, então, consolidou as apostas pelo primeiro corte em maio, depois de reduzir as apostas para redução em março.

Segundo o ING, “a última coisa que o Fed quer” é errar novamente em um ponto de virada fundamental, como aconteceu em 2021, e por isso deve ser excessivamente cauteloso. Esse temor deve jogar o primeiro corte para maio, quando o banco holandês aposta que os membros do BC americano terão mais convicção de que a inflação foi vencida.

Em reação, os três índices firmaram queda e o Dow Jones pôs fim à sequência de máximas históricas. No início do dia, o índice chegou a resistir no azul mesmo após dados do mercado de trabalho dos EUA virem abaixo da expectativa, mas perdeu ímpeto durante a sessão.

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Fed muda avaliação sobre economia de ‘desacelerou’ para ‘se expande em ritmo sólido’

A comparação entre o comunicado de política monetária do Fed desta quarta-feira, 31, e o da reunião anterior, em dezembro, revela algumas mudanças na linguagem escolhida pela autoridade monetária dos Estados Unidos. Logo no primeiro parágrafo, o Fed alterou a avaliação sobre o desempenho da economia dos Estados Unidos de “desacelerou” para “tem se expandido em ritmo sólido”.

O banco central norte-americano removeu o trecho que, em notas anteriores, reforçava a “segurança e resiliência” do sistema bancário e também alertava para os riscos de que o aperto das condições financeiras viesse a pesar sobre a atividade, contratações e inflação.

Outra novidade na nota do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) foi a adição de uma passagem que reconhece que os “riscos para alcançar suas metas de emprego e inflação estão se movendo para um maior equilíbrio”.

Mais à frente no texto, o Fed também incluiu um aviso de que não espera que seja apropriado cortar juros até que tenha maior confiança de que o índice de preços está caminhando de forma sustentável em direção à meta de 2%.

Comunicado remove trecho sobre possível necessidade de aperto monetário adicional

O comunicado de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) divulgado nesta quarta-feira, 31, removeu o trecho que, em notas anteriores, afirmava que a autoridade monetária levaria em conta os efeitos defasados da política ao “determinar a extensão na qual aperto adicional poderia ser necessário”.

No lugar dessa passagem, o Fed incluiu um aviso de que o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) “não espera que seja apropriado reduzir a meta dos juros até que ganhe maior confiança de que a inflação está se movendo sustentadamente em direção a 2%”.

Cortar juros em março ainda é cedo demais, diz presidente do Fed

O presidente do Fed Jerome Powell disse que, de acordo com o debatido na reunião desta quarta-feira, 31, não acredita que os juros serão cortados já em março. Segundo ele, a confiança de que a inflação está voltando à meta de 2% de modo sustentado ainda não será suficiente. Porém, a depender dos indicadores que serão divulgados até lá, “é possível que haja a confiança necessária”, apesar de que o cenário mais provável ainda seja o de cautela.

Powell mencionou que existem riscos que podem fazer os cortes avançarem mais devagar ou mais rápido. Ele disse que há riscos de que a inflação ainda volte a acelerar, mas neste ponto isto “seria uma grande surpresa”.

Ele avalia que a economia americana tem avançado muito bem, com últimos seis meses de bons resultados no combate à inflação, com perspectiva de continuar nesta direção. Por isso, a confiança de que a inflação permanecerá ancorada é “crescente”, mas os integrantes do Comitê ainda aguardam provas mais sustentadas.

Proposta de corte não foi debatida na reunião desta quarta-feira

De acordo com Powell, os dirigentes do Fed concordam que o corte de juros virá em algum momento. Segundo Powell, porém, não houve qualquer proposta para cortar os juros durante o encontro desta quarta-feira, quando o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Fed manteve a taxa dos Fed Funds em 5,25% a 5,50% ao ano.

O presidente do BC norte-americano destacou que, no momento, o debate é sobre “gerenciar riscos”, e não cortar os juros cedo ou tarde demais, o que reverteria parte do progresso. Os dirigentes discordam sobre o nível de aperto, e ele mencionou que “isto é essencial” para que o Fed siga tomando as decisões corretas e considerando todas as possibilidades.

Powell afirmou que ainda é cedo para dizer que a economia americana atingiu um pouso suave, mas que o Fed tem buscado preservar o emprego ao máximo enquanto traz a inflação à meta de 2% ao ano.

Segundo ele, caso o mercado de trabalho tivesse demonstrado sinais de fraqueza, os cortes de juros poderiam vir mais cedo.

Mesmo assim, o mercado de trabalho ainda não está “completamente normalizado”, e esse esforço para desaquecê-lo um pouco mais deve continuar, enquanto o setor se reequilibra.

Powell destacou que o Comitê continua buscando o progresso feito no ano passado, com “crescimento muito forte”, enquanto o mercado de trabalho resistia e a inflação caía “de modo sustentável”.

Riscos para atingir metas em emprego e inflação estão menores nos EUA

O Federal Reserve destacou em comunicado, após manter os juros inalterados, que a economia norte-americana está avançando a um “ritmo sólido”, e que os riscos para atingir o “máximo de emprego” a uma inflação de 2% ao ano estão atingindo um equilíbrio melhor, apesar do futuro “permanecer incerto”.

“O Comitê não espera que seja apropriado reduzir juros até que tenha ganhado mais confiança de que a inflação está voltando de forma sustentada aos 2% ao ano”, afirma o texto, ao pontuar que a taxa de desemprego permaneceu baixa, enquanto a inflação continuou sua trajetória descendente.

Segundo o comunicado, o Fed vai continuar analisando cautelosamente os próximos dados e a evolução dos riscos, e também permanece com seu plano de reduzir seu balanço de acordo com os planos anunciados anteriormente.

“Duas alterações importantes no comunicado”

Marcelo Oliveira, CFA e co-fundador da Quantzed, observa: “Na minha visão, o comunicado do Fed veio ainda bem conservador. Seguiu comentando que a inflação cedeu, mas ainda não pode se desligar disso. Mantém a inflação com meta de 2%. Mas tivemos duas alterações importantes no comunicado, uma mais positiva e outra negativa. A positiva foi que retirou o trecho sobre possível aperto monetário adicional. E a negativa foi que mudou a parte que falava sobre a economia desacelerar para a ‘economia expandiu em ritmo sólido’. No final, complementa que pode fazer ‘qualquer’ ajuste se necessário deixando totalmente em aberto e afirma meta de inflação em 2%.”

Oliveira diz que a “falta de uma fala mais concreta sobre baixa de juros torna o comunicado um pouco mais negativo, dado que mercado esperava já um discurso mais nesse sentido.”

O tom mais hawkish do comunicado do Fed desanimou o mercado, que caiu para as mínimas. As bolsas de Nova York aumentaram perdas: Dom Jones recua 0,48%, S&P 500 cai 1,24% e Nasdaq perde 1,7%.

Num discurso mais duro que o esperado, o presidente do Fed Jerome Powell deixou claro, segundo Oliveira, “que precisa que os números continuem a mostrar uma inflação cedendo, para poder começar a baixar juros.” Powell disse que não precisa que os números melhorem, “mas que continuem por mais tempo no mesmo sentido para que possam atingir a meta de 2% de inflação e que isso pode levar tempo.”

Lucas Farina, analista econômico da Genial Investimentos, sobre a decisão do Fed desta quarta (31), analisa: “O comunicado do Fed desta quarta (31) trouxe muitas mudanças em relação ao comunicado anterior, em forte contraste com o que vinha ocorrendo nas reuniões passadas, quando o comunicado sofria apenas mudanças pontuais de um encontro para o outro.”

Farina explica: “Em relação à atividade econômica, saiu do comunicado o trecho que dizia que a atividade econômica iria desacelerar em relação ao terceiro trimestre de 2023, reconhecendo, de certa forma, a ocorrência de uma surpresa altista com relação ao crescimento econômico do quarto trimestre do ano passado.” No entanto, o “Comitê julgou que os riscos para atingir o seu duplo mandato de inflação e desemprego passaram a ficar mais alinhados, o que é uma outra forma de dizer que os membros estão mais confiantes na ocorrência do cenário de um ‘pouso suave’”.

O analista da Genial conclui: “É natural de um Banco Central que possua um duplo mandato que ele passe a dar mais importância para a manutenção de um desemprego baixo depois que o objetivo central de estabilidade de preços tenha sido alcançado. Um trecho do comunicado representa uma espécie de ‘pivot’ do Fed, isto é, na parte em que ele retirou a possibilidade de uma alta de juros adicional e no lugar passou a elencar as condições que permitiram uma queda.”

Apostas esvaziadas sobre corte

Andre Fernandes, head de renda variável e sócio da A7 Capital, comenta: “Achei o comunicado uma tentativa de esvaziar as apostas de corte de juros em março. Um ponto que o Fed retirou do comunicado anterior, que citava desaceleração da economia, foi substituído por ‘economia tem se expandido em ritmo sólido”. Retirou também o trecho que citava o aperto das condições financeiras que podiam pesar sobre a atividade, demonstrando assim que a economia americana mesmo com o aperto do juros está forte. Então achamos o comunicado um pouco hawkish nesse quesito.”

Ele pondera: “Em compensação, o discurso veio com algum tom dovish, citando que o mercado de trabalho vem caminhando para o seu equilíbrio, que a inflação vem desacelerando (mas reforçando que o Fed espera uma desaceleração mais contínua para tomar uma decisão sobre o juros).”

Um trecho que chamou a atenção no discurso, segundo Fernandes, foi a fala de que “há uma saudável disparidade de visões entre os dirigentes, o que é essencial”. O sócio da A7 Capital explica: “Dá a entender que alguns dirigentes, apesar de Powell falar que a decisão de corte de juros ainda não está na mesa, que na próxima reunião isso já pode ser pauta.”

Ele lembra: “A reação do mercado ao Fed foi imediata, o dólar passou a acelerar queda, tanto aqui quanto lá fora via DXY (indice dolar), além disso as treasuries de 10 anos intensificaram queda e passaram a ser negociadas a uma taxa abaixo de 4% (3,97%) com uma queda de -2,08%. Próximo do fim da coletiva Powell reforçou que NÃO crê em corte de juros em março, para tentar ao máximo retirar essa contratação de corte de juros já no primeiro trimestre.”

Com Estadão Conteúdo

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Redação Suno Notícias

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