Alta de juros em março: Fed reafirma preocupação com alta de preços e mercado de trabalho

Alta de juros em março: Fed reafirma preocupação com alta de preços e mercado de trabalho
Fed deve atuar mais como 'supervisor' do FedNow, ante um BC que é mais ativo no que se refere ao Pix -Foto: Wikimedia Commons

O Federal Reserve (Fed) divulgou nesta quarta (12) o Livro Bege, relatório dos dirigentes da instituição com base em pesquisas nos distritos do país sobre o cenário macro-econômico . O documento serve de monitor para a tomada de decisões do banco central americano.

O relatório do Fed desta quarta aponta que a atividade econômica operou em “ritmo moderado” no final de 2021. Diz que o crescimento se manteve morno e destaca o avanço modesto do emprego, a escalada da inflação e a escassez de mão de obra. Esse cenário sustenta a expectativa de aumento dos juros em março, como indicaram a ata do Fed e discursos do presidente do banco central dos EUA Jerome Powell,.

Os Estados Unidos estão em “uma era de juros muitos baixos”,  disse nesta terça (11) Powell. O dirigente acredita também que o País permanecerá nesse cenário mesmo com as perspectivas de elevação da taxa básica nos próximos meses.

Powell atribuiu a recente escalada da inflação no país a desequilíbrios entre oferta e demanda. Para o presidente do Fed, as condições de oferta devem ser normalizadas ao longo deste ano, o que ajudará a conter a escalada inflacionária.

O documento do Fed desta quarta lembra que mercado registrou aumento dos salários em todo o país, pontua que houve elevação de gastos de consumidores, mas antes da alta exponencial dos casos de Ômicron nos EUA. A falta de trabalhadores e a disparada de salários pressionam os custos das empresas.

“O emprego cresceu modestamente nas últimas semanas, mas a maioria dos distritos pesquisados relata que a demanda por trabalhadores adicionais continua forte. As vagas de emprego aumentaram, mas o crescimento geral da folha de pagamento foi limitado pela persistente escassez de mão de obra”, explica o relatório do Fed.

O Fed lembra também que a inflação continua incomodando os dirigentes da instituição, embora alguns distritos tenham reportado desaceleração de preços.

O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos subiu 0,5% em dezembro, ante novembro, no confronto com previsão de 0,4%. A leitura anual do CPI é a mais forte desde 1982 no país. Na comparação anual, o CPI subiu 7,0% em dezembro, como esperado.

O núcleo do CPI teve alta de 5,5% na comparação com igual mês do ano anterior, ante previsão de avanço de 5,4% dos analistas. Os preços de energia tiveram queda mensal de 0,4% em dezembro nos EUA. Já os dos alimentos cresceram 0,5% na mesma comparação.

A avaliação do Fed não alterou o movimento dos pregões das bolsas em Nova York: Dow Jones opera na estabilidade (+ 0,02%), S&P 500 sobe 0,26% e Nasdaq avança 0,41%.

 

Marco Antônio Lopes

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