Estreito de Ormuz: o que é e por que é tão importante para o petróleo global
O Estreito de Ormuz foi fechado nesta terça-feira (3) pelo Irã, de acordo com declarações de um funcionário da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). A autoridade afirmou que qualquer navio que tente atravessar a rota poderá ser alvo de ataque. Esta é a primeira vez que o país declara o bloqueio total da passagem marítima.
O anúncio intensificou a aversão ao risco nos mercados globais, que já iniciaram a semana no vermelho após o início dos conflitos no Oriente Médio. No Brasil, o Ibovespa despencou mais de 3%, enquanto o dólar encerrou o dia em alta de quase 2%.
O fechamento da região ocorre dois dias após Estados Unidos e Israel coordenarem uma série de ataques contra o Irã, bombardeando instalações estratégicas, o que resultou na morte do líder iraniano Ali Khamenei. Em resposta, Teerã disparou mísseis e drones contra Israel e contra bases militares norte-americanas em países vizinhos.
As preocupações refletiram na cotação dos contratos futuros de petróleo, que estão disparando desde o início do conflito. Com o anúncio feito pelo Irã nesta segunda-feira, sobre o Estreito de Ormuz, o petróleo Brent atingiu máximas em 19 meses.
O que é o Estreito de Ormuz?
O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais importantes e estratégicas do mundo. A região é um canal estreito que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar da Arábia, funcionando como principal corredor de exportação de petróleo do Oriente Médio.
Em seu ponto mais apertado, o estreito separa Omã do Irã por apenas 33 quilômetros. Apesar da largura relativamente pequena, a via concentra um dos maiores fluxos energéticos do planeta.
Pela posição geográfica, o Irã exerce influência direta sobre a margem norte da passagem, o que amplia seu peso estratégico em momentos de tensão geopolítica.
Por que o Estreito de Ormuz é tão importante?
Cerca de um quinto de todo o consumo mundial de petróleo passa diariamente pelo Estreito de Ormuz.
Apenas na primeira metade de 2023, aproximadamente 20 milhões de barris por dia cruzaram a rota, segundo estimativas da Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA). O volume representa um comércio energético anual próximo de US$ 600 bilhões.
O estreito é fundamental para o escoamento da produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), incluindo Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait. A maior parte do gás natural liquefeito exportado pelo Catar também atravessa a região.
Qualquer interrupção na passagem restringe o comércio global de energia e tende a provocar alta imediata nos preços do petróleo, pressionando inflação, moedas e bolsas ao redor do mundo. Por isso, o fechamento do Estreito de Ormuz é considerado um dos eventos mais sensíveis para a segurança energética mundial.