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Risco político pesa em estatais: BB (BBAS3) cai 11% e Eletrobras (ELET6) recua 5%

Risco político pesa em estatais: BB (BBAS3) cai 11% e Eletrobras (ELET6) recua 5%
Estatais despencam e Credit Suisse fala em "contabilização de riscos"

Após o presidente Jair Bolsonaro intervir na Petrobras (PETR4) e anunciar no final de semana que deve fazer mudanças também no setor elétrico, as estatais despencam na manhã desta segunda-feira (22), com os investidores temendo que o Governo Federal anuncie novas mudanças nessas companhias ou em determinados setores.

O Banco do Brasil (BBAS3), que recentemente esteve frente a uma polêmica envolvendo seu atual presidente (CEO), André Brandão, quase demitido, cai, às 12h, 11%, vendido a R$ 28,89. A Eletrobras (ELET6), principal companhia de energia elétrica do país, retrocede quase 5%, negociada a R$27,95. A interferência nas estatais acaba puxando todo o Ibovespa.

O Credit Suisse divulgou novos relatórios para essas duas companhias e, nos dois casos, o banco alertou para o crescimento da percepção de risco de ingerências, diminuiu os preços-alvo para os papéis e também a recomendação de compra para neutro.

As ações ordinárias do Banco do Brasil ficaram com recomendação neutra e preço-alvo em R$ 38 (ante R$ 46 na última avaliação) e as ações preferenciais do tipo B da Eletrobrás ficaram neutras com preço-alvo em R$ 32 (ante R$ 40).

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Falas de Bolsonaro aumentam percepção de risco para estatais

“Nós mudamos nossa recomendação de outperform (acima da média) para neutra por conta do crescimento da percepção de risco relacionado a interferências políticas após a mudança do presidente da Petrobras. Acreditamos que o impacto não é negativo apenas para a Petrobras mas para outras estatais, como no caso do Banco do Brasil, em que o CEO André Brandão já teve atritos com Bolsonaro”, afirmam os analistas.

Para o Banco do Brasil, apesar de conservarem as projeções financeiras inalteradas, os especialistas do Credit Suisse mudaram a recomendação por conta do risco político. “Reconhecemos que as iniciativas de reestruturação do Banco do Brasil continuam avançando. O caso recente da Petrobras, entretanto, é um obstáculo significativo para as nossas perspectivas”, disseram.

Em janeiro, após anúncio de reestruturação do banco, com fechamento de agência e demissão de funcionários, surgiram comentários de que o Bolsonaro estudava demitir o presidente do banco, além disso, ele ainda afirmou que a instituição “precisa ter um lado social”.

Para a Eletrobras, a justificativa vai no mesmo caminho. Após a fala do presidente, com as projeções para o preço da energia elétrica apontando para um avanço de 15% no ano, o banco afirma acreditar que as primeiras medidas para conter a alta devam vir na direção de corte de impostos, principalmente do PIS/Cofins, mas que não é impossível uma mudança nas tarifas de energia elétrica.

As alterações recentes na governança da Eletrobras foram consideradas boas e devem segurar um bom fluxo de caixa. Todavia, uma interferência política não focada na lucratividade poderia reduzir margens e deteriorar as expectativas,

“O governo não pode alterar os contratos de forma unilateral, o que reduz os riscos para os investidores. De qualquer forma, até que tenhamos detalhes completos sobre os planos do governo para as tarifas, a incerteza prevalecerá”, afirmaram os analistas do Credit Suisse.

As análises para as estatais passam, agora, a refletirem a maior percepção de risco político. “Há um aumento da percepção após a mudança surpresa do CEO da Petrobras”, afirmam.

Vitor Azevedo

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