Semana do ESG

Dólar sobe pela 5ª vez consecutiva e fecha a R$ 5,42, maior valor desde 27 de janeiro

Dólar sobe pela 5ª vez consecutiva e fecha a R$ 5,42, maior valor desde 27 de janeiro
Dólar. Foto: Pixabay

O dólar fechou pela 5ª sessão consecutiva em alta e acumula valorização 3,57% nestes primeiros dias de julho. A moeda moderou o ritmo de alta na segunda etapa de negócios na esteira da melhora do humor dos mercados acionários em Nova York após a divulgação da ata do Federal Reserve. Após superar o teto de R$ 5,45 pela manhã e correr até a máxima de R$ 5,4624, a moeda passou a maior parte da tarde rodando entre R$ 5,41 e R$ 5,43. No fim do dia, subia 0,60%, cotada a R$ 5,4219 – maior valor de fechamento desde 27 de janeiro.

Mais uma vez, o temor de recessão global, em meio ao aperto monetário nos países desenvolvidos para combater a inflação, derrubou os preços das commodities e levou a uma rodada de valorização da moeda americana. Referência do desempenho do dólar frente a pares fortes, o índice DXY superou os 107 pontos, no maior nível em 20 anos. O euro apanhou mais uma vez em razão de indicadores fracos de atividade na zona do euro, enquanto a libra sofreu com a crise política no governo Boris Johnson, que enfrenta debandada de ministros. As cotações do petróleo caíram novamente, com o tipo Brent, referência para Petrobras (PETR4), fechando em baixa de 2,02%, a US$ 100,69 o barril. Os preços futuros do cobre, termômetro das expectativas de crescimento, tocaram hoje os menores níveis desde novembro de 2020.

Por aqui, as atenções seguem voltadas à tramitação da PEC dos Benefícios (ou Kamikaze) na Câmara. Votação em comissão especial da Casa foi adiada na madrugada desta quarta-feira por pedido de vista da oposição. Os debates devem ser retomados amanhã e a previsão é que o texto chegue ao plenário da Câmara ainda nesta semana. Apesar de desconforto do mercado com o aumento do chamado do risco fiscal, o real não apresentou as piores perdas de entre seus pares emergentes, papel que coube ao peso colombiano, seguido pelo rand sul-africano e o peso chileno, todos em baixa superior a 1% frente ao dólar.

Em sua ata, o Fed se mostrou disposto a agir rapidamente e pôr a política monetária em campo restritivo, em meio ao “risco significativo” de que a inflação elevada possa se tornar “arraigada”. Dirigentes do BC americano veem alta da taxa básica – hoje já faixa entre 1,50% e 1,75% – em 50 pontos ou 75 pontos como “apropriada” no encontro deste mês. Depois de o presidente do Fed, Jerome Powell, admitir que o controle da inflação envolverá “alguma dor”, sobreveio na ata a avaliação de que o aperto monetário pode reduzir o crescimento da atividade “por um tempo”. O staff do Fed cortou as projeções de crescimento para 2022 e 2023. A previsão é de que a conversão do índice de preços de gastos com consumo (PCE) para a meta de 2% ocorra apenas em 2024. Não houve menção, contudo, à possibilidade de recessão, o que pode ajudar a explicar a resposta dos mercados acionários em Nova York.

“A ata foi agressiva. O Fed admite risco de menos crescimento com aperto maior da política monetária. O contexto é de mais valorização do dólar no mundo”, afirma o economista-chefe da JF Trust, Eduardo Velho, que vê a alta das bolsas em Nova York após a ata do Fed como um movimento pontual de alívio. “Com esse ambiente de taxas de juros mais altas no mundo e perda de força das commodities, ativos de risco e moedas emergentes tendem a sofrer”.

As taxas dos Treasuries apresentaram alta expressiva hoje e registraram máximas ao longo da tarde, na esteira da divulgação da ata do Fed. O retorno da T-note de 10 anos chegou a tocar 2,93% na máxima e encerrou o dia abaixo da taxa da T-note de 2 anos, que chegou ao nível de 2,95%. A inversão da curva de juros americana é vista como prenúncio de recessão.

“Essa ata mostrou que o Fed está comprometido com o controle da inflação. Existe um movimento de valorização do dólar frente a todas as moedas”, afirma o economista Bruno Mori, planejador financeiro pela Planejar. “Aqui o risco fiscal e político voltou a ser um tema do mercado e está fazendo preço”.

Em relatório, a Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado afirma que a PEC dos Benefícios – que libera gastos de R$ 41,2 bilhões extrateto – fragiliza ainda mais o teto dos gastos e reduz a confiança no compromisso com a disciplina fiscal. A PEC eleva o valor do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600 mensais e amplia o vale-gás, além de criar o bolsa caminhoneiro, no valor de R$ 1 mil, e um auxílio para taxistas.

Velho, da JF Trust, chama a atenção para o fato de que as benesses sociais e a redução do ICMS neste ano trazem um legado pesado para o próximo governo. É duvidoso que o próximo presidente consiga diminuir os gastos com o Auxílio Brasil, avalia, ao passo que o aumento do ICMS sobre combustíveis tende a pressionar a inflação em 2023.

“O mercado do dólar também vê que está sendo contratada uma pressão política enorme para o próximo presidente. Inflação vai ser ainda alta e terá demanda por gastos”, afirma o economista. “É um quadro totalmente diferente do primeiro mandato de Lula. Está mais parecido com 2001 e 2019, que foram anos de correções importantes no mercado americano.”

Com Estadão Conteúdo

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Redação Suno Notícias

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