Dólar: com juros altos por mais tempo nos EUA, o que esperar do câmbio e como aproveitar o cenário?

Na semana passada, o Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, do Federal Reserve) decidiu manter os juros dos Estados Unidos no intervalo entre 5,25% e 5,50%, em linha com o consenso do mercado. Nessa esteira, o dólar encerrou a semana em queda de 0,93%, atingindo a cotação de R$ 5,0067, menor valor desde abril. Confira, a seguir, de que forma esse contexto pode seguir impactando a moeda, e qual é a visão dos analistas sobre a trajetória do câmbio nos próximos dias.

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Apesar da cotação do dólar ter fechado em baixa expressiva na última semana, especialistas ressaltam que a manutenção dos juros americanos em patamares mais elevados tende a gerar uma valorização da moeda frente ao real.

“Esse cenário de juros gera uma maior demanda por ativos dolarizados, como as treasuries, que estão com altos níveis de rentabilidade. Isso, automaticamente, impacta na valorização da moeda”, diz Cauê Mançanares, CEO da Investo.

“O diferencial de juros e a liquidez contribuem para a valorização do dólar. O dinheiro que poderia vir para cá acaba sendo direcionado para a dívida americana, por exemplo”, complementa Eduardo Aun, gestor de Macro da AZ Quest.

Ou seja, o que pode ocorrer é uma fuga de capital rumo à renda fixa americana, dada a atratividade das taxas. Isso tende a se refletir não só em uma possível alta do dólar, mas também no enfraquecimento do Ibovespa.

“Com a valorização do dólar e o alto rendimento dos treasuries, o investidor pode destinar os seus recursos aos EUA devido à maior segurança do mercado e alta performance. Com isso, é possível que haja uma transferência de investimentos da Bolsa brasileira para os investimentos nos EUA”, afirma Mançanares.

“O yield da Bolsa brasileira concorre com o yield de outros ativos do mundo. Então, se outros ativos estão rendendo mais, o dinheiro pode vir menos para cá. Então esse vetor dos juros mais altos nos Estados Unidos joga contra o Ibov“, analisa Aun.

Vale a pena investir em dólar agora?

Cauê Mançanares chama a atenção para a importância de alocar recursos em dólar não apenas no cenário atual, mas como forma de proteção de patrimônio.

“Cada dia se torna mais evidente a importância da alocação em dólar, uma moeda forte que impacta as diretrizes das grandes economias mundiais e no Brasil. Este momento demonstra maior apelo na alocação em ativos dolarizados frente à valorização da moeda – somente em abril o dólar valorizou 3,5% enquanto o Ibovespa caiu 1,70%”, explica.

Eduardo Aun, por sua vez, não entende que esse é o momento ideal para apostar no dólar contra o real, uma vez que já projeta um recuo do câmbio no médio prazo.

“Acho que a economia americana já está num processo de desaceleração, então acredito que isso vai acabar aliviando a pressão dos juros lá fora e também vai tirar o suporte do dólar global. Além disso, creio que os fundamentos brasileiros estão bons – então o real é uma moeda que está barata em termos de valuation”, projeta.

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Como aproveitar o atual cenário?

Tanto para uma tese mais voltada para a valorização do dólar, quanto para a ideia de fortalecimento do real no médio prazo, existem oportunidades para o investidor. Eduardo Aun, gestor de Macro da AZ Quest, inclusive, afirma que a casa está otimista.

“Aqui na equipe dos fundos macro, estamos com uma visão construtiva. Estamos otimistas com os fundamentos brasileiros, entendemos que os ativos estão descontados e apresentam espaço para tomar risco. Ao mesmo tempo, o cenário externo tem uma probabilidade relevante de aliviar daqui para frente, destravando esse valor que está reprimido”, diz o gestor, cujo escopo envolve fundos como o AZ Quest Multi PWR e o AZ Quest Multi Max FIC FIM.

Já Cauê Mançanares, CEO da Investo, destaca as opções que a casa oferece para a dolarização do patrimônio, tendo em vista a tese de investir em dólar para proteção da carteira.

“É possível dolarizar o patrimônio e acessar as maiores economias mundiais através do ETF WRLD11, que replica no Brasil o índice Vanguard Total Stock. Dessa forma, o investidor acessa mais de 9.800 empresas ao redor do mundo. Além desse, temos também o ETF USDB11, que replica o Vanguard Total Bond Market ETF e permite o acesso a mais de 10.000 títulos de renda fixa americana, incluindo treasury bonds e títulos de empresa com baixo risco de inadimplência”, diz Mançanares, destacando a importância de se ter dólar no portfólio.

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Guilherme Serrano Silva

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