Decisão do BC sobre juros pode ser tiro no pé, diz sócio da Kapitalo

Decisão do BC sobre juros pode ser tiro no pé, diz sócio da Kapitalo
No relatório, a OCDE projeta um crescimento econômico de 5,2% par ao Brasil em 2021 - Foto Flickr./Agência Brasil

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, participou nesta terça (14) de um evento organizado pelo BTG Pactual (BPAC11), o MacroDay 2021, e sinalizou que os juros não devem subir tanto quanto projeta o mercado. Campos Neto disse que pretende esperar por um horizonte maior para tomar decisão mais firme. Para Carlos Leonhard Woelz, sócio fundador da gestora Kapitalo, essa postura pode ser “um tiro no pé”.

Até agora, ressalta Woelz, o BC fez política monetária de tentar conter as expectativas inflacionárias dando respostas de curto prazo. “O BC errava no passado ao ser muito gradualista”, disse em evento da Eleven. O cenário para a inflação, afirmou Woelz, piorou muito nos últimos meses. “Corre-se o risco de a autoridade monetária perder um pouco o controle das expectativas e o mercado ir para cima deles.”

O gestor disse que vai esperar a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) para ver se há mais informações sobre a nova estratégia e se a fala não foi um erro de comunicação de Campos Neto, que está quebrando a estratégia feita até agora em direção a um maior gradualismo: “Não digeri ainda.”

BC “quer errar para baixo”, segundo Woelz

A maneira como o BC está fazendo a mudança de tom mostra, segundo Woelz, que a instituição “quer errar para baixo”, elevando os juros de forma mais lenta. Se o BC alongar o horizonte de política monetária vai ser terrível, afirmou o gestor, pois não se sabe agora nem quem será o próximo presidente do Brasil. “O mercado pode interpretar isso como uma maneira de você fugir da responsabilidade de combater a inflação do ano que vem, um indício de falta de clareza ou rigor”, diz ele.

“Foi um tiro no pé enorme”, repetiu Woelz, acrescentando que o BC está mostrando pouca disposição de colocar os juros de forma mais rápida no nível que a taxa básica deveria estar. “Parece um Banco Central indicando que, se for errar, será para baixo, não para cima”, observou.

(Com informações do Estadão Conteúdo)

Bruno Galvão

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