CVM indefere pedido de companhia aberta da Havan

CVM indefere pedido de companhia aberta da Havan
Havan. Foto: Reprodução Instagram

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) indeferiu o pedido de companhia aberta da varejista Havan, reportou a agência Reuters nesta segunda-feira (23).

A companhia do empresário Luciano Hang havia pedido o registro à CVM em maio, sem uma solicitação para uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). Quase sete meses antes, a Havan tinha desistido definitivamente da abertura de capital na Bolsa de Valores de São Paulo (B3).

Na época, a empresa planejava arrecadar recursos suficientes para impulsionar o valor de mercado para R$ 100 bilhões, como pretendia Luciano Hang.

Os recursos líquidos levantadas por meio da oferta primária seriam destinados para:

  • expansão de lojas e do centro de distribuição;
  • abertura de novas unidades;
  • incremento do suporte do crescimento orgânico;
  • área de tecnologia;
  • reforço do capital de giro.

Os desafios para a Havan abrir o capital não são poucos. Os especialistas apontam desde problemas de governança e excessiva dependência da figura de seu controlador, conhecido por ser um fervoroso defensor do presidente Jair Bolsonaro, até questionamentos sobre a transparência da empresa e as informações apresentadas no site de relações com investidores (RI).

Mas há outras questões. A governança corporativa, por exemplo, está longe das práticas de empresas abertas. O conselho de administração é formado por apenas três pessoas, sendo uma delas Luciano Hang. A empresa atende à determinação da Lei das Sociedades Anônimas (SAs), mas não à indicação do colegiado ser composto por entre 5 e 11 membros, feita às companhias de capital aberto pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC).

Havan tem prejuízo de R$ 30 mi no 1T21

A Havan teve prejuízo de R$ 30 milhões no primeiro trimestre de 2021, número 84,9% menor do que o déficit de R$ 199 milhões registrado no mesmo período do ano passado.

A receita operacional líquida ficou em R$ 1,7 bilhão entre janeiro e março deste ano, caindo 6,5% na base anual. A companhia atribuiu o recuo aos efeitos da pandemia da Covid-19, que aumentaram o tempo que as lojas ficam fechadas (12% dos dias) e a inadimplência.

O Ebitda da Havan avançou, a despeito da queda da receita, com alta de 86,1% na base anual, ficando em R$ 201 milhões. A margem Ebitda saiu de 5,8% para 11,6%.

(Com Estadão Conteúdo)

Arthur Guimarães

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