Copom aponta preocupações com IPCA e novas pressões na taxa Selic

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central apontou para uma deterioração do cenário inflacionário na ata da sua última reunião, realizada nos dias 16 e 17 de junho. O colegiado destacou tanto uma “evidente” desancoragem adicional das expectativas, quanto as surpresas nas leituras do IPCA corrente, pressionado pela guerra no Oriente Médio.

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“As expectativas de inflação, medidas por diferentes instrumentos e obtidas de diferentes grupos de agentes permanecem acima da meta de inflação em todos os horizontes. Desde a reunião anterior ficou evidente uma desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos, em particular para o ano de 2028″, diz a ata do comitê, publicada nesta terça-feira, 23.

Na última reunião, o Copom decidiu cortar a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual, de 14,50% para 14,25% ao ano, mas pregou “serenidade e cautela na condução da política monetária” diante do aumento da incerteza. Agora, na ata, o colegiado destaca que a perseverança, firmeza e serenidade vão favorecer a continuidade de uma queda das expectativas rumo à meta.

“A principal conclusão obtida, e compartilhada por todos os membros do comitê, foi a de que, em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”, diz o texto.

O Copom também citou as recentes surpresas inflacionárias, que inverteram uma tendência de arrefecimento do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) cheio e das medidas subjacentes, mais importantes na calibração da política monetária. Segundo o colegiado, as últimas divulgações mostraram “sinais claros de efeitos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio”, que levaram a uma inflação “significativamente acima” do esperado.

“Para além dos efeitos dos conflitos, mantém-se, de um lado, a interpretação de uma inflação pressionada pela demanda e que requer uma política monetária contracionista e, de outro, a interpretação de que a política monetária tem contribuído de forma determinante para a desinflação observada”, disse o Copom.

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Riscos de inflação pressionam juros

Na ata, o Copom reconheceu explicitamente que o seu balanço de riscos para a inflação passou a ter uma “assimetria altista” – isto é, que os riscos de o IPCA ficar acima do esperado pelo colegiado são maiores que os riscos de a taxa ficar abaixo.

“Com relação ao balanço de riscos, o comitê avaliou que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual, com assimetria altista”, diz a ata.

O Copom já havia incluído um novo risco para cima para a inflação, o que resultou em uma “assimetria” com quatro fatores altistas e três baixistas. Mesmo assim, ainda não havia reconhecido explicitamente a assimetria.

Os quatro fatores de risco para cima são: estímulos à demanda agregada que resultem em crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) acima do seu potencial (adicionado nesta última reunião); desancoragem das expectativas por período mais prolongado; maior resiliência da inflação de serviços, por um hiato do produto mais positivo; e conjunção de políticas interna e externa que tenham impacto inflacionário, via desvalorização do câmbio, por exemplo.

Os fatores de baixa são: eventual desaceleração maior que a esperada da atividade doméstica; desaceleração global mais pronunciada por causa de choques de comércio e do petróleo; e redução nos preços das commodities, com efeito desinflacionário.

Copom destaca atividade doméstica moderada

O Copom afirma também, na ata da sua mais recente reunião, que a atividade econômica doméstica continua em uma trajetória de moderação compatível com o esperado. Os efeitos da taxa Selic restritiva sobre a demanda ainda se fazem sentir por meio da desaceleração do saldo de crédito, especialmente livre, diz o texto.

“O comitê relembra que o arrefecimento da demanda agregada é um elemento essencial do processo de reequilíbrio entre oferta e demanda da economia e convergência da inflação à meta”, diz o documento.

O colegiado repetiu que a heterogeneidade de diferentes setores é compatível com a política monetária, uma vez que mercados mais sensíveis às condições financeiras – que são, por sua vez, mais sensíveis aos juros – desaceleram mais que os sensíveis à renda. A aceleração da atividade no primeiro trimestre ainda é consistente com um crescimento da economia em 2026 menor que o de 2025.

O comitê também voltou a destacar que tem acompanhado “detidamente” o mercado de trabalho brasileiro, mantendo-se atento ao debate sobre as dimensões estruturais e correntes do desempenho. “A taxa de desemprego tem, recorrentemente, se mantido em patamares historicamente baixos enquanto os rendimentos reais médios têm mantido a tendência de elevação acima do crescimento da produtividade do trabalho”, observou.

Com Estadão Conteúdo

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Redação Suno Notícias

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