Copom enxerga risco fiscal pressionando balanço de riscos e inflação, diz Goldman Sachs

A ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada na manhã desta terça-feira (23), demonstrou uma maior preocupação com a inflação e a pressão que o risco fiscal faz sobre o balanço de riscos do Banco Central (BC). Esse é a visão do Goldman Sachs, em relatório enviado a clientes.

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De acordo com a instituição, a ata do Copom demonstra uma situação mais incômoda com a deterioração das expectativas de inflação para este ano — podendo contaminar 2022 — do que no pós-reunião da última semana.

O comitê repetidamente diz que o nível de várias medidas de núcleo de inflação está “acima da faixa compatível com o cumprimento da meta de inflação“.

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Por outro lado, o Copom demonstrou um entendimento relativamente construtivo sobre a economia brasileira. O colegiado do BC ressaltou que a recuperação econômica tem sido mais forte do que o esperado, e que um possível retrocesso desse processo em função do agravamento da pandemia no País seria menos grave do que a queda do ano passado.

Inclusive, caso isso acontecesse, seria seguido de uma outra forte recuperação no segundo semestre, com os efeitos da vacinação no País.

Quanto à economia global, o comitê afirmou que a vacinação em massa permanece em curso, com novos estímulos fiscais em países desenvolvidos, e a comunicação dos Bancos Centrais das principais economias de que os estímulos monetários serão de longa duração deve significar crescimento econômico robusto ao longo de 2021.

Para o Copom, ameaça da inflação pode estar ligada ao aquecimento da demanda

Em relatório, a Ativa Investimentos reitera que, na visão do Copom, a ameaça de um descontrole na inflação está ligada ao aquecimento da demanda e não do “grosso da oferta”, o que também é considerado um aspecto hawkish — que vê o aumento dos preços o maior entrave à economia.

Para o economista-chefe da corretora, Étore Sanchez, o tom não poderia ser diferente após a alta de 0,75 ponto percentual na taxa básica de juros da economia (Selic).

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“Vale destacar que mesmo nos aspectos que poderiam ser considerados dove a autoridade encontrou uma saída hawk. Como por exemplo, no tocante a atividade e a pandemia, que apesar de afetar fortemente o crescimento do primeiro semestre deverá ter reversão rápida e robusta no segundo semestre”, explica Sanchez.

De acordo com o economista, o BC desenha um cenário mais cauteloso para conjuntura do País, mas implica isso apenas em uma redução do grau de estímulo. “Mantemos nossa avaliação de que a autoridade deverá elevar o juro em 0,75 ponto percentual na próxima reunião seguido de outras duas elevações de 0,50 ponto percentual, conduzindo a Selic a 4,5% antes do término desse ano.”

A próxima reunião do Copom terá início no dia 4 de maio, com o anúncio sobre a manutenção ou elevação da Selic no dia 5. O consenso do mercado é que o BC eleve a taxa em 0,50 ponto percentual, levando a Selic para 3,25%.

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Jader Lazarini

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