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Renner (LREN3) e outras de vestuário se beneficiam de ‘compra por vingança’

Renner (LREN3) e outras de vestuário se beneficiam de ‘compra por vingança’
Lojas Renner (LREN3) e outras de vestuário se beneficiam de 'compra por vingança'. Foto: Pixabay

As grandes varejistas de e-commerce, como o Magazine Luiza (MGLU3), amargam uma forte queda no Ibovespa este ano. Isso porque essas empresas estão sofrendo com o atual cenário macroeconômico, com elevado nível de inflação, juros em alta e desemprego. Todos estes fatores impactam o poder de compra dos consumidores. No entanto, as varejistas do setor vestuário, como Lojas Renner (LREN3) e C&A (CEAB3) andam na contramão de outras empresas do setor.

Enquanto o e-commerce sofre com os juros em alta e também com a escassez mundial de chips, usados na produção de eletrônicos, as varejistas de vestuário são beneficiadas pela reabertura econômica, com forte presença das lojas físicas. Estas empresas devem ser beneficiadas pelo fenômeno de compra “por vingança”, expressão usada no mercado quando existe uma demanda reprimida.

Não à toa, começaram a surgir recomendações de bancos para ações de varejistas nas últimas semanas. Uma delas foi o Goldman Sachs, que deu recomendação de compra para a Renner com upside de 33% no preço-alvo, que saiu de R$ 42,7 para R$ 43, em 12 meses. Na visão do banco, a empresa está bem posicionada no mercado e deve ser destaque no setor. Atualmente, as ações estão sendo negociadas cerca de R$ 29,60

Os analistas do banco acreditam que a contínua recuperação de tendências de mobilidade não apenas apoia a retorno de tráfego às lojas como também a renovação do guarda-roupa “para socializar e retornar ao local de trabalho”.

Outra recomendação que despontou foi a C&A. O BTG Pactual (BPAC11) recomendou a compra dos papéis, com preço-alvo de R$ 18,00. Na análise da instituição, a empresa está apostando em sua plataforma digital e sua expansão por meio de lojas físicas. Por sua vez, os ativos da companhia são negociada em volta de R$ 6,45

Segundo a instituição, os principais pilares da estratégia da C&A são:

  •  aceleração da expansão de lojas tradicionais e novos formatos (13 novas lojas até agora em 2021, juntamente com o guidance de 25 inaugurações por ano de 2022 até 2025);
  • melhorias e modernização do seu modelo logístico em mais de 200 lojas
  •  fortalecimento do foco digital da C&A, bem como uso de C&A&VC (programa de relacionamento) e análise de dados para melhorar o desenvolvimento da coleção e prazos de entrega

Varejistas voltadas para alta renda também estão bem posicionadas

Especialistas também apontam que empresas do setor de varejo voltadas para o consumidor de alta renda devem se sair melhor no cenário atual, já que este público é menos afetado pela alta da inflação.

“Para o atual cenário, na nossa análise, as melhores posicionadas seriam o Grupo Soma (SOMA3), Arezzo (ARZZ3) e Vivara (VIVA3), que atuam em um segmento social um pouco mais elevado, com poder aquisitivo maior e, portanto, tendem a demostrar maior resiliência”, destacou o especialista de Mercado da Guide Investimentos, Rodrigo Crespi.

Já para o especialista de renda variável da Monte Bravo, Bruno Madruga, é preciso considerar que algumas empresas do setor varejista já passaram por outras crises. Por esse motivo, a melhor posicionada seria a Renner, Arezzo e também o Grupo Soma. “Elas também são focadas em classes mais alta, o que oferece uma maior resiliência.”

Vale lembrar que a Arezzo acabou de dar seu primeiro passo em vestuário ao comprar a marca de roupas Carol Bassi por R$ 180 milhões.

Na análise da XP, apesar de parecer uma compra ‘cara’ em um primeiro momento, a transação irá gerar valor e por isso mantém a recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 108 por ação.

“Dessa forma, vemos como uma forte alavanca de crescimento para os próximos anos tanto a expansão da presença física – com notícias sinalizando a abertura de 15 a 20 lojas nos próximos dois anos – como da alavancagem da marca no e-commerce. Além disso, vemos potencial em adicionar novas categorias à marca, como bolsas e calçado.”

O Goldman Sachs (GSGI34) também enxerga potencial na operação e definiu preço-alvo de R$ 117, que representa potencial de valorização de 71,6%.

Retomada do trabalho presencial incentiva compra de roupas na Renner e C&A

No ano passado, durante a pandemia, o brasileiro foi reeducado a comprar online e, hoje a disputa entre as companhias de e-commerce é pela entrega mais rápida. Nesse contexto, com o consumidor mais tempo em casa, os brasileiros decidiram comprar computadores, trocar de geladeira e outros eletrodomésticos.

Entretanto, neste ano, com a retomada do trabalho presencial, o consumidor aproveita agora para comprar por “vingança”, já que não comprou nenhuma uma roupa no ano passado.

Além disso, os especialistas consultados pelo SUNO Notícias alertam que o consumidor já está de olho em qual look vai usar nas festas de final de ano.

“A tendência para o setor de vestuário é positiva porque, com a volta dos eventos, dos escritórios e do entretenimento, o consumidor compra por vingança, porque não comprou nada no ano passado. Por isso, podemos enxergar uma retomada no quarto trimestre até com a aproximação do Natal”, disse a Head do Inter Research, Gabriela Joubert.

Na análise de Crespi, os produtos como roupas e cosméticos podem ser considerados produtos de reabertura econômica. “Tanto a moda, como cosméticos e beleza, se relacionam muito ao consumo por vingança, visto que no ano passado o foco do consumidor estava mais em produtos eletrônicos das empresas de e-commerce.”

Além disso, os produtos comprados ano passado não são trocados assim facilmente. Espera-se que a troca aconteça só daqui alguns anos, portanto, os consumidores não estão de olho em comprar novos produtos eletrônicos. E isso é diferente do setor de roupas, visto que a moda é passageira.

“A gente sabe que existem sazonalidades. Uma peça de roupa você pode comprar hoje e pode comprar outra amanhã. Uma geladeira, por exemplo, você não vai comprar uma hoje e outra amanhã. Portanto, apesar de serem varejistas, são segmentos completamente distintos”, analisou Madruga.

No mais, o brasileiro aprendeu a comprar produtos eletrônicos pela internet, mas ainda não está tão acostumado a comprar roupas online. Isso porque culturalmente o consumidor gosta de provar roupas e ver como ficam antes de levar.

De acordo com uma pesquisa realizada em novembro de 2020, pela Hibou, empresa que monitora o mercado e o consumo no Brasil, 7 em cada 10 brasileiros optam pela loja física.

Com mais de mil entrevistados, a pesquisa mostra que 89% dos brasileiros preferem adquirir roupas e acessórios em lojas físicas. Já cerca de 40% preferem comprar pela internet, seja por site ou aplicativos.

“Estamos notando uma demanda reprimida por questão da moda. O brasileiro culturalmente precisa experimentar as roupas e os calçados e por isso acreditamos que esse segmento como da Renner vai ser beneficiado nesse momento em que estamos vivendo”, analisou Madruga.

Poliana Santos

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