Rebeca Nevares

Crise no Brasil? É bom não contar com a sorte

O Morgan Stanley rebaixou o Brasil de overweight (exposição acima da média) para neutro dentro da sua carteira para a América Latina em função do risco fiscal que tem sido projetado pela proposta da PEC de Transição

Nas últimas semanas, declarações do agora eleito Lula adicionaram uma boa dose de volatilidade no mercado brasileiro. Vimos o Ibovespa sair da casa dos 114 mil pontos para 108 mil em poucas semanas. O dólar, que há alguns dias encontrava-se no patamar de R$ 5,05, hoje está em R$ 5,19.

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Ainda sem uma equipe econômica definida pelo novo governo, o Brasil deve sofrer nas próximas semanas com o vai e vem das notícias sobre o assunto. É esperar para ver, porém, com alguma proteção.

No dia 21 de novembro, a bolsa reagiu de forma positiva à proposta alternativa da PEC de Transição, que de R$ 170 bilhões acima do teto agora pede cerca de R$ 70 bi. Trata-se de uma redução considerável, porém, ainda vista com desconfiança pelos investidores uma vez que seguimos sem saber qual será a fonte dos recursos.

O Morgan Stanley, por exemplo, rebaixou o Brasil de overweight (exposição acima da média) para neutro dentro da sua carteira para a América Latina em função do risco fiscal que tem sido projetado por conta da proposta.

Isto em um cenário no qual, independentemente do presidente, precisamos de um ajuste da ordem de 1% a 2% do PIB para evitar uma disparada do câmbio acompanhada de uma crise severa.

Enquanto isso, as pessoas seguem com as discussões em torno da política e acabam deixando o pragmatismo de lado.

Em um cenário de risco, os investidores precisam se preocupar com formas alternativas de diversificação, especialmente, fora do Brasil.

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Alguns gestores comentam que, historicamente, o brasileiro investe pouco fora do Brasil. Porém, alguns levantamentos recentes mostram que este comportamento está mudando.

Dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) mostram que o patrimônio de brasileiros investido no exterior cresceu mais de 28% no início de 2022.

Ainda que uma evolução importante esteja em curso, vale lembrar que hoje nem 5% da população do país investem na bolsa ou produtos mais sofisticados, quem dirá em outras regiões do globo?

Por isso, nunca é demais ressaltar a importância da diversificação fora do Brasil. Para pessoas com pouco dinheiro, já existem ferramentas que permitem a alocação no exterior sem uma quantidade muito grande de recursos.

Contudo, ao optar por fazer a aplicação por conta própria, o investidor precisará ficar atento a questões tributárias e regulatórias para evitar maiores problemas no futuro.

Hoje, por causa do ciclo de juros, – as principais economias do mundo estão em processo de elevação de suas taxas básicas por conta da inflação – existem boas oportunidades tanto no mercado de renda variável quanto na renda fixa.

Fazer uma boa seleção dos ativos, contudo, não é tarefa simples. Por isso, é preciso estudar e se informar com especialistas para não cometer erros que comprometam o seu futuro financeiro.

Já aqueles com patrimônios mais elevados podem contar com a ajuda de assessorias e gestoras especializadas neste tipo de público.

Pense no assunto e bons negócios!

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Nota

Os textos e opiniões publicados na área de colunistas são de responsabilidade do autor e não representam, necessariamente, a visão do Suno Notícias ou do Grupo Suno.

Rebeca Nevares
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