Marcelo Simões

Na Páscoa, o que fica é o amargor tributário 

A época mais doce do ano vem com lançamentos de produtos e tendências que, sem o devido planejamento de orçamento, podem deixar o amargor do arrependimento sobressair

A época da Páscoa é um momento doce para o mercado, que se aquece com o lançamento de chocolates e retrai o olhar de milhões de consumidores. Para termos uma perspectiva de como essa data comemorativa impulsiona compras, em 2023 as vendas totais de chocolate cresceram 10,8%, com destaque para as barras de chocolate, que aumentaram a aquisição em 13,2%, em comparação com o ano de 2022.

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Analisando os dados acima, divulgados pela pesquisa da Scanntech em parceria com a EXAME Invest, compreende-se que as datas comemorativas são oportunidades únicas de gerar lucros para os resultados das empresas, mas algumas questões chamam a atenção: comportamento de preços, impostos incidentes sobre os produtos, possibilidade de promoções, e alternativas de variações de chocolates, com preços mais acessíveis, são alguns exemplos de aspectos que permeiam o momento mais doce do ano, que, sem o devido planejamento financeiro por parte dos consumidores, pode terminar com um intenso amargor. Como se preparar?

O preço está salgado e o imposto, amargo!

Ainda analisando a pesquisa da Scanntech com a EXAME Invest, os dados sobre aumento de preços são valiosos para entendermos que a data celebrativa da Páscoa pode soar bem salgada para o bolso do consumidor. Com um aumento significativo de 13,9% em comparação com o ano anterior, impulsionado pela inflação, ainda em ajuste, isso explica o fato de as barras de chocolate terem sido mais visadas para compra, diferente dos ovos de Páscoa, que tiveram uma queda de 7,2% nas vendas.

Olhando o lado tributário, que configura mais um labirinto para acirrar o aumento de preços, os chocolates recebem uma incidência robusta de impostos de 39,61%. Isso reforça que, ao precificar ovos de Páscoa, que muitas vezes são vendidos na companhia de brinquedos ou em versões gourmet, com recheios e doces adicionais, torna-se impossível aos vendedores não considerar a alíquota de impostos, e o valor final, por consequência, acaba bem rígido ao consumidor.

Para além de ovos de Páscoa, aqueles que seguem a tradição de não consumir carne, por questões religiosas, procuram por alimentos típicos da época, como peixes, aumentando mais uma vez a expectativa do mercado. Sob o espectro dos impostos, o preço do ingrediente fica, definitivamente, mais salgado: peixes, em geral, representam 34,48%, e o bacalhau, de grande importância para a época, representa uma incidência de 43,78%.

Em adição, além dos produtos mais procurados nessa época e a dinâmica do mercado para salientar suas presenças e despertar a vontade de compra nos consumidores, um aspecto que impacta no preço final dos produtos é a MVA (Margem de Valor Agregado). Isso decorre do fato de a MVA aumentar a base de cálculo sobre a aplicação do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), considerando a margem de lucro e estimando um valor de venda mais alto, o que aumenta a incidência de impostos recolhidos antecipadamente do regime de substituição tributária. Para o consumidor final, preços ainda mais caros são encontrados, dificultando a escolha e a participação em datas comemorativas.

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De olho no orçamento para livrar-se de uma Páscoa amarga

Sabendo que o feriado da Páscoa traz gastos elevados para as famílias, estratégias de planejamento financeiro são importantes para garantir aos consumidores sucessos em suas compras. Um dos métodos mais eficientes, que trará a consciência de escolha, é a boa e velha pesquisa de mercado, exigindo que os consumidores observem variedades de produtos e seus preços, a fim de programarem-se com antecedência para a compra de presentes de Páscoa.

Entendendo a dinâmica de preços, estipular um orçamento torna-se mais fácil, já prevenindo gastos surpresas, que saiam do teto concebido. Muitas vezes, o agir por impulso é o grande motivador para comprometimento das finanças dos consumidores, tornando-se ainda mais agressivo em épocas comemorativas, em que os preços estão condicionados a cálculos de lucros e vendas. Nesse caso, pesquisar, categorizar os gastos, e usar a criatividade, são as prioridades da lista de planejamento.

Com previsão para receber um aumento de 4,5% nas vendas de chocolate, de acordo com a recente pesquisa da Apas (Associação Paulista de Supermercados), a Páscoa pode ser seguramente doce, tanto para o paladar, quanto para o bolso dos consumidores.

Com mais conscientização e conhecimento, é possível separar oportunidades de ‘ciladas’ financeiras, saboreando um período esperado por muitos, explorado por outros e marcado, definitivamente, por uma explosão de chocolates e variedades.

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Nota

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