Bruno Madruga

Apesar das indefinições, resultados das companhias brasileiras têm sido positivos

Existem diversos levantamentos que mostram que no longo prazo os bons resultados tendem a gerar impactos positivos para o acionista

Não é lá novidade dizer que o ano de 2022 tem sido desafiador. Quando enfim imaginávamos uma retomada da economia em certo clima de calmaria, a guerra entre Ucrânia e Rússia trouxe um elemento adicional de preocupação para os gestores.

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Isto em um mundo que sequer decretou o fim da pandemia. A China, por exemplo, ainda sofre com uma política de sucessivos lockdowns. Os países desenvolvidos, antes “protegidos” por economias fortes, também sofrem com a inflação.

No mundo emergente, a alta dos juros têm adicionado uma dose de cautela nos investidores. No Brasil, as indefinições em relação à política fiscal do novo governo ajudam a fechar um pacote que, sem dúvidas, têm causado mais volatilidade ainda nos mercados.

Enquanto isso, porém, algumas companhias listadas pedem licença e apresentam bons resultados. Um levantamento da XP mostra que 55% dos balanços do terceiro trimestre de 2022 estão acima das expectativas.

Em outras palavras, o que temos visto são demonstrações sólidas, ainda que alguns ruídos tenham prejudicado os números atuais na comparação com períodos anteriores.

Existem diversos levantamentos que mostram que no longo prazo os bons resultados tendem a gerar impactos positivos para o acionista.

Repare, por exemplo, no gráfico abaixo elaborado pela Nord. Nas linhas azuis, vemos o Ebitda (Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) das companhias do Ibovespa e S&P 500. Na amarela, a cotação de ambos. Veja como os indicadores andam lado a lado.

Ibovespa e S&P andam lado a lado

E não tem jeito: durante essa longa jornada, o improvável frequentemente vai dar as caras e provocar volatilidade no mercado. É no sobe e desce diário da bolsa que separamos “apostadores de investidores”.

Parafraseando Howard Marks, “você não pode prever o futuro, mas pode se preparar”.

Retomando a nossa visão sobre os resultados, setores como Agro, Alimentação e Bebidas, Saneamento e Transportes apresentaram Ebitdas acima das expectativas dos analistas.

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Papel e Celulose, por sua vez, foi o grande destaque acompanhado de Mineração e Siderurgia que seguem fortes, segundo a XP. Há ainda destaques em Varejo, Tecnologia, Mídia e Telecomunicações.

Por outro lado, empresas de Bens de Capital e Financeiro ficaram aquém do esperado – ainda assim, companhias de ambos os segmentos também apresentaram boas perspectivas.

Sem dúvidas, o cenário descrito no início deste artigo, de alta inflacionária seguida de risco de recessão por conta das altas de juros, marcaram os resultados apresentados pelas empresas.

Ainda assim, o nosso Ibovespa, na contramão das principais bolsas do mundo, subiu mais de 11% no período. Índices norte-americanos como S&P 500 e o MSCI ACWI recuaram -5,3% e -7,3% respectivamente.

Sobre o futuro, permanece uma grande incógnita. Para que a performance do mercado brasileiro seja boa, dependemos, basicamente, de dois fatores fundamentais.

O primeiro deles é o endereçamento da PEC de Transição. O novo governo ainda não deu sinais de que cederá às pressões por uma proposta mais responsável fiscalmente, fator fundamental para que a economia do Brasil possa seguir em crescimento.

Questões como tamanho e tempo de duração, por exemplo, ainda precisam ser respondidas.

O segundo ponto diz respeito ao novo time da economia. Com um ministro definido, há uma melhor previsibilidade de quais serão os caminhos escolhidos para a equalização – ou não – das contas públicas.

Enquanto essas duas questões não estiverem endereçadas, sofreremos com os males provocados pelas incertezas.

Do lado do investidor, a dica é sempre acrescentar uma boa dose de cautela, contudo, sob um olhar prospectivo uma vez que as crises costumam gerar oportunidades na bolsa.

Como vimos acima, no longo prazo o movimento das ações sempre tende a respeitar o lucro das companhias. Pense nisso!

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Nota

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Bruno Madruga
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