Luana Monteiro

Lugar de mulher também é no mercado financeiro

Mulheres ganham espaço no mercado financeiro, um ambiente até pouco tempo atrás povoado, basicamente, por engravatados

Lugar de mulher é onde ela quiser. Todo ano, esse mantra vem à tona, especialmente no 8 de Março, para destacar algo basilar: mulheres têm direito a estarem em todos os lugares, desde política e ciência até economia. E estão, também, ganhando espaço no mercado financeiro, um ambiente até pouco tempo atrás povoado, basicamente, por engravatados.

São mulheres que começam a ter poder de decisão em importantes instituições mundo afora, como bancos centrais, secretarias de tesouros e grandes companhias privadas. Lembro que, quando ingressei nesse universo, no começo dos anos 2000, as mulheres atuavam basicamente como assistentes. Clientes mulheres eram raras. Tive a sorte, no entanto, de contar com um sponsor (mentor) que me orientou e confiou no meu potencial.

Mas não podemos mais ficar estagnadas no discurso da sorte. As mulheres precisam de oportunidades e liberdade. E, apesar dos avanços na área, ainda há muito a melhorar. Exemplo disso é a pesquisa Female Founders Report 2021, feita em conjunto por Distrito, Endeavor e B2Mamy, ao mostrar que apenas 4,7% das startups brasileiras foram fundadas exclusivamente por mulheres. O estudo também aponta que, com relação aos serviços financeiros, 29,5% das startups têm mulheres no seu quadro societário. Ou seja, a presença feminina ainda é muito inferior à masculina.

Quais seriam as barreiras que impedem as mulheres de ocuparem mais espaço nesse mercado? A resposta é complexa e composta por diferentes fatores, inclusive históricos, que permeiam a sociedade brasileira e a estrutura do nosso mercado de trabalho. Nesse sentido, desde muito pequenas, somos estimuladas a seguir profissões pré-estabelecidas como femininas. Não somos encorajadas a ousar. Aliado a isso, nos faltam referências femininas no setor, um importante estímulo para jovens estudantes. E, claro, o fator maternidade.

Como possíveis soluções, vislumbro alternativas como estimular as meninas a conhecerem todos os tipos de profissões e ensiná-las que podem ser o que quiserem. E lembrá-las, sempre, que não precisam se intimidar: estude com afinco, faça bem feito tudo o que se dispôs a fazer, tente se aliar a pessoas que te apoiem. Ao seguir esses passos, o reconhecimento virá. Outro ponto é igualar o período de licença maternidade de mães e pais, para que o fator custo não seja mais desculpa para gestores não contratarem mulheres. Enquanto isso não acontecer, é fundamental disponibilizar mecanismos e recursos para que as mães trabalhem com a tranquilidade de saberem que os filhos estão bem e seguros.

Fato é que, quanto mais mulheres no mercado financeiro, maior a diversidade de ideias e soluções. Diferentes perspectivas e vivências trazem inputs importantíssimos quando o assunto é tomada de decisão. Investir na diversidade de gênero – e também nas outras formas de inclusão – é sinônimo de ganho financeiro, sim, mas não só: de toda uma sociedade, tão carente de justiça social, com iguais oportunidades para todos.

Nota

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