Recessão em 2022? Mercado amplia apostas de PIB negativo no ano que vem

Recessão em 2022? Mercado amplia apostas de PIB negativo no ano que vem
PIB do Brasil cresce em novembro.

O número de instituições financeiras que preveem recessão econômica para o Brasil em 2022 está crescendo. Depois do Itaú, também o Credit Suisse alterou suas projeções e agora projeta que no ano que vem o Produto Interno Bruto (PIB) nacional vá cair 0,50%. No caso do banco suíço, a projeção anterior, de crescimento de 0,60%, deu lugar a uma aposta de recessão logo após a divulgação de que o volume de serviços prestados em setembro caiu 0,50% ante agosto, frustrando a expectativa mediana do mercado, que era de avanço de 0,60%.

Assim, setembro fechou com todos os principais dados de atividade econômica aferidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no negativo. Nos dias anteriores, o IBGE divulgou uma queda de 0,40% na produção industrial e um recuo de 1,30% nas vendas do varejo – neste último caso, com o agravante de revisão para baixo no resultado de agosto, que passou de -3,10% para -4,30%.

Na terça-feira (16), a depender de como vier o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de setembro – e, claro, do terceiro trimestre de 2021 -, os investidores podem esperar uma nova onda de revisões para baixo tanto nas expectativas para o PIB de 2021 quanto para o ano que vem. Um dos efeitos desta possível desaceleração econômica mais forte do que o esperado anteriormente é que isso afeta o ritmo da atividade nos trimestres seguintes, diminuindo o chamado carrego estatístico para o ano eleitoral.

“O carregamento estatístico para o ano que vem está diminuindo. Tem uma grande chance do IBC-Br que vai ser divulgado ser negativo”, disse ao SUNO Notícias o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini. “No mês de setembro, projetamos uma queda de 0,80%. No terceiro trimestre, deve ficar em torno de 0,10% negativo, e o PIB pode repetir também este desempenho”, completa o economista, que destaca o papel da inflação para a desaceleração da economia brasileira. No acumulado de 12 meses até outubro, o IPCA anota alta de 10,67%, muito acima dos 3,75% que constituem o centro da meta da inflação para este ano.

Inflação joga contra o PIB

Uma das principais fontes de pressão inflacionária nas leituras mais recentes do IPCA, o custo da energia elétrica deve continuar a subir em 2021. Na sexta-feira (12), a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) afirmou que as contas de luz devem ter reajuste de 21,04% em 2022. As atenções dos investidores e dos consumidores também continuam voltadas para os combustíveis, especialmente com especialistas projetando que os preços dos barris de petróleo podem chegar ao patamar de US$ 100 nos próximos meses.

O preço em dólar também preocupa, uma vez que a moeda brasileira continua bastante desvalorizada, precificando o risco fiscal do país, alimentado, por sua vez, por ruídos políticos e esforços do governo para flexibilizar o teto de gastos só seis anos após sua implementação. Diante das incertezas, os investidores cobram prêmios cada vez maiores para financiar a dívida brasileira, tornando o processo de endividamento mais caro. A perspectiva é de piora na relação dívida/PIB, tanto pelo aumento da dívida quanto pelo crescimento menor (ou até negativo) do PIB, cria um ciclo que empurra para baixo a atividade econômica.

O relatório de mercado Focus, divulgado pelo Banco Central na segunda-feira (8), já havia mostrado que o mercado acredita em deterioração da situação econômica do Brasil. A mediana para o IPCA em 2021 alcançou os 9,33%, 31ª revisão altista seguida, enquanto o valor intermediário para a inflação de 2022 já chegou aos 4,60%, só 0,40 ponto percentual abaixo do teto da meta, de 5,0%. A mediana para o PIB de 2021 não está no campo negativo, mas encolheu pela quinta semana seguida e agora chegou a avanço de só 1,0%. É provável que essas projeções piorem novamente na edição do relatório que será publicado no dia 16 de novembro.

No texto em que anunciou a projeção de PIB caindo 0,50% em 2022, os economistas do Credit Suisse Solange Srour e Lucas Vilela destacaram o papel da inflação para o enfraquecimento da atividade econômica. No documento, eles ratificam: “o atual nível de inflação deve permanecer elevado devido à alta inércia no país”. Se acertarem na previsão, é provável que o Banco Central se veja obrigado a elevar juros para além dos dois dígitos já no primeiro trimestre de 2022, o que deve impor um freio importante ao crescimento brasileiro.

A inflação também é fonte de preocupação no exterior, inclusive nos Estados Unidos, cuja alta de preços ao consumidor já soma 6,20% nos 12 meses até outubro, taxa não vista desde os anos 1990. O temor dos investidores é que a dinâmica inflacionária na maior economia do planeta faça o Federal Reserve abandonar a postura de leniência com a inflação, aumentanto os juros básicos, hoje entre 0% e 0,25%. Uma alta nos juros dos EUA tem poder para empurrar para cima os juros ao redor do planeta, principalmente em países com economias mais frágeis e arriscadas, como é o caso do Brasil.

“A incerteza quanto ao cenário político deve permanecer elevada até as eleições presidenciais do próximo ano e as perspectivas para os mercados emergentes tornaram-se mais desafiadoras com a política monetária mais restritiva nos países desenvolvidos”, sintetizaram os economistas do Credit Suisse.

Gregory Prudenciano

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