Franceses denunciam concorrência desleal do Mercosul em acordo com UE

O grupo de agricultores e ambientalistas franceses protestam contra o acordo de comércio livre entre a União Europeia e o Mercosul. Os protestos contam com alguns parlamentares que também se opõem ao tratado. Segundo eles, o acordo permite que o Brasil pratique concorrência desleal, desrespeitando uma série de leis ambientais e trabalhistas.

“Nos põem em concorrência desleal com um país que não tem regra nenhuma. O Brasil não tem os mesmos padrões europeus. Tudo o que é proibido na Europa é autorizado no país”, disse secretário do sindicato agrícola da França, Patrick Bénézit, ao jornal “BBC News Brasil”.

Para os franceses, os brasileiros não cumprem com as exigências sanitárias, trabalhistas e ambientais impostas aos produtores da Europa. De acordo com o secretário, cerca de 74% dos pesticidas que o País utiliza em suas plantações são proibidos. No entanto, o Greenpeace afirma que 30% dos 239 agrotóxicos do Brasil foram vetados no continente.

Concorrência desleal

“Não podem nos exigir de fazer cada vez mais produtos de melhor qualidade e, ao mesmo tempo, abrir as comportas para qualquer coisa”, disse Bénézit. Além disso, o secretário afirma que a rastreabilidade bovina “é inexistente no Brasil”.

“O acordo só será ratificado se o Brasil respeitar seus engajamentos. Nós vamos esmiuçar o texto”, disse o ministro da Transição Ecológica, François de Rugy. “Não teremos um acordo a qualquer preço. A história ainda não terminou”, completa o ministro da Agricultura da França, Didier Guillaume.

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O deputado de mesmo partido do presidente da França, Jean-Baptiste Moreau, afirma que é necessário que o governo encontre equilíbrio entre os aspectos ambientais e o livre comércio. O deputado julga como “ruim” o documento atual.

Em resposta, o presidente francês, Emmanuel Macron, disse que fará uma “avaliação independente, completa e transparente” do acordo.

Resposta do Brasil

Outro argumento utilizado pela oposição ao acordo é o uso de hormônios de crescimento e de antibióticos pelo setor de carnes do País. No entanto, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne, Antônio Jorge Camardelli, afirma ser uma argumentação falsa.

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“Não estou vendo por enquanto nenhuma argumentação técnica que dê vazão às reclamações dos produtores europeus. Não tem diferença entre mercado interno e externo. A saúde pública é para todo mundo”, disse Carmadelli.

Além disso, o presidente acrescenta que a carne exportada é a mesma consumida no Brasil. Ademais, afirma que o gado do País possui rastreabilidade e cada boi enviado ao matadouro tem processo de identificação, a única diferença é em relação alguns cortes que sua origem não são especificada.

Poliana Santos

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