Bradesco (BBDC4): mudança no comando indica senso de urgência, dizem analistas

A mudança no comando do Bradesco (BBDC4) indica um senso de urgência após resultados abaixo dos concorrentes, dizem os analistas. Para o BTG Pactual, a escolha de Marcelo Noronha para presidência demonstra uma disposição do banco para aprimorar resultados. 

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“Mesmo com um altamente competente Noronha ao leme, a recuperação será longa e, em nossa visão, irregular”, afirma o BTG em relatório.

Segundo o BTG, a mudança, no mínimo, pode fazer com que alguns “short sellers” (investidores vendidos nas ações) fiquem mais preocupados em apostar contra os papéis do Bradesco.

Além disso, dizem os analistas, pode atrair mais investidores a reavaliarem a tese de investimento no Bradesco.

A Genial investimentos aponta que nos últimos anos, o ROE do banco registrou uma queda significativa, passando de 20% em 2019 para 12% em 2023 (consenso), enquanto alguns de seus concorrentes conseguiram atravessar o ciclo adverso de crédito praticamente ilesos, mantendo ROE acima de 20%, como é o caso do Itaú (ITUB4) e do Banco do Brasil (BBAS3).

Para a equipe da Genial, a transição de liderança sinaliza a procura por novas estratégias para enfrentar os desafios e revigorar o desempenho do banco. “O novo CEO terá um desafio significativo, mas com o pior do ciclo já encerrado ou próximo do pico, pode traçar uma agenda mais construtiva a partir de 2024, alinhando possivelmente os milhares de colaboradores para recuperar o market share perdido.”

Neste contexto, a Genial e o BTG mantêm recomendação neutra para as ações do Bradesco, com preço-alvo de R$ 17 e R$ 17,30, respectivamente.

Bradesco: exceções na escolha de Noronha

Durante os 20 anos de Bradesco, segundo a Genial, Noronha liderou as áreas de atacado e cartões do banco. Em janeiro de 2023, assumiu a responsabilidade pelo varejo e pela alta renda Prime do Bradesco, incluindo as iniciativas digitais (Next, Digio e Bitz).

No entanto, iniciou sua carreira fora da instituição e nunca passou pela seguradora do Bradesco, uma dos segmentos mais importantes do banco. 

“Se não fossem os resultados robustos da seguradora, o ROE do banco teria sido consideravelmente inferior. Tradicionalmente, todos os CEOs lideram a Bradesco Seguros antes de assumirem a posição de CEO. Esses indicadores de mudança podem sugerir uma alteração significativa de paradigma”, aponta a Casa.

O novo presidente do Bradesco, Marcelo Noronha, sinalizou que a sua gestão será focada em resultados e que tem consciência da missão ao assumir a liderança do segundo maior banco privado do Brasil. O executivo foi alçado ao posto depois de liderar a arrumação no segmento de varejo, que sofreu com o aumento da inadimplência e pressionou os resultados do conglomerado.

“O mercado é muito competitivo e exige múltiplas capacidades de todos nós. Com os pés no chão, tenho consciência da minha missão. E não será diferente dessa vez”, disse Marcelo Noronha, o novo presidente do Bradesco, em nota distribuída pelo banco.

De acordo com Noronha, o Bradesco tem uma estrutura organizacional e cultura corporativa que oferecem os “pilares centrais de uma gestão focada em resultados”. Acrescentou: “Tenho visão plena das decisões relevantes que me aguardam, e o tamanho da carga das expectativas dos clientes, colaboradores e acionistas do Bradesco.”

Noronha tem 58 anos e iniciou sua carreira bancária, em 1985, no Recife. Transferiu-se para São Paulo em 1994 e, antes de ingressar no Bradesco, trabalhou na diretoria do Banco Bilbao Vizcaya Argentaria Brasil até 2003. Foi, também, diretor-presidente da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) entre os anos de 2013 e 2017.

Principais pontos do declínio nos resultados do banco 

De acordo com a Genial, três fatores contribuíram para a queda do desempenho do Bradesco em comparação com as concorrentes: custo de crédito, tesouraria e digitalização. 

No caso do custo de crédito, foram as altas provisões, principalmente vindo do aumento da inadimplência no varejo de baixa renda. Já na Tesouraria, houve o impacto dos resultados negativos de NII mercado em 2022 e 2023. 

Por fim, a estratégia de manter bancos digitais (Next, Bitz e Digio) como entidades separadas não rendeu o sucesso desejado. “Além disso, os resultados pouco expressivos da sua adquirente, a Cielo, e a ausência de produtos e iniciativas integradas entre o banco e a adquirente também contribuíram para os desafios enfrentados”, explica a Genial. 

Lucro recuou 11,5% no 3T23

Bradesco reportou uma queda de 11,5% no lucro líquido recorrente do terceiro trimestre de 2023, na comparação com o mesmo período do ano passado, totalizando R$ 4,621 bilhões – 2,3% maior do que o registrado no segundo trimestre deste ano.

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No período, o segundo maior banco privado do país mostrou maior estabilidade nos indicadores de inadimplência do Bradesco, que haviam subido mais do que os concorrentes no decorrer do último ano. O índice de inadimplência de 15 a 90 dias ficou em 4,1%, uma melhora de 0,3 p.p. enquanto o índice de inadimplência acima de 90 dias caiu 0,1 p.p. para 5,6%.

As operações de seguros do Bradesco tiveram lucro líquido recorrente de R$ 2,354 bilhões no terceiro trimestre deste ano, de acordo com balanço. O resultado é 57,5% maior que o do mesmo trimestre do ano passado. Em relação ao segundo trimestre deste ano, houve baixa de 0,8%.

Com Estadão Conteúdo

Desempenho anual das ações do Bradesco

Cotação BBDC4

Gráfico gerado em: 26/11/2023
1 Ano

 

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Vinícius Alves

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