Grana na conta

Bolsonaro afirma que Brasil não sediará conferência climática da ONU

O presidente eleito Jair Bolsonaro afirmou no sábado (15) que o Brasil não será sede da COP25 em 2019, a Conferência do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU). Após a recusa brasileira, o Chile prontificou-se a sediar o evento no dia 29 de novembro do próximo ano.

Bolsonaro justificou a desistência pelos custos que o País assumiria com o evento.

Abrimos mão de sediar a Conferência Climática Mundial da ONU pois custaria mais de R$500 milhões ao Brasil e seria realizada em breve, o que poderia constranger o futuro governo a adotar posições que requerem um tempo maior de análise e estudo. O Estadão esnoba o bom jornalismo!

— Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) 15 de dezembro de 2018

A conferência climática mundial da ONU debate as alterações no clima do planeta, que decorrem do aquecimento global e o efeito estufa acentuado. Assim, busca-se reduzir a emissão de gases agravantes do efeito estufa, que ocasionam o aumento de temperatura da Terra.

Itamaraty

Apesar da afirmação de Bolsonaro no twitter de ontem, a desistência do Brasil de receber o evento já era de conhecimento público.

Em novembro deste ano, o presidente eleito pressionou a equipe de Michel Temer, o atual presidente da República, a voltar atrás na decisão de sediar a COP25.

A argumentação de Bolsonaro baseou-se no Triplo A, proposta de corredor ecológico internacional de seu governo.

“Está em jogo o Triplo A nesse acordo. O que é o Triplo A? É uma grande faixa que pega dos Andes, Amazônia e Atlântico, 136 milhões de hectares, ali, então, ao longo da calha dos rios Solimões e Amazonas, e que poderá fazer com que percamos a nossa soberania nessa área”, disse o presidente que assumirá em 1º de janeiro de 2019.

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Assim, o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) anunciou a desistência do País de sediar o evento climático em 28 de novembro deste ano.

“Tendo em vista as atuais restrições fiscais e orçamentárias, que deverão permanecer no futuro próximo, e o processo de transição para a recém-eleita administração, a ser iniciada em 1º de janeiro de 2019, o governo brasileiro viu-se obrigado a retirar sua oferta de sediar a COP25“, declarou o Itamaraty.

COP24

Em 2018, a conferência climática da ONU teve início em 3 de dezembro e finalização ontem, após duas semanas de negociação e um dia de atraso no resultado. A COP24 foi sediada na Polônia.

Os representantes de 197 países superaram os desafios políticos e entraram em consenso para definição do “Livro de Regras” do Acordo de Paris.

“Foi um longo caminho, não foi uma tarefa fácil. O impacto deste pacote de medidas é positivo para o mundo”, disse o presidente da COP24, o polonês Michal Kurtyka.

O acordo final menciona o relatório científico do Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), que afirma a importância do compromisso “urgente e sem precedentes” para limitar o aumento da temperatura global a 1,5ºC.

Cada compromisso (regra) do Acordo de Paris é uma contribuição nacional voluntária. O acordo teve origem na COP21, em 2015, na França.

No caso do Brasil, houve rejeição na modificação do atual sistema que regulamenta o mercado de carbono.

Governo Bolsonaro

Durante sua campanha eleitoral, o presidente eleito fez declarações que preocuparam os ambientalistas.

O então candidato do PSL afirmou que poderia promover a saída do Brasil da ONU, bem como do Acordo de Paris, e que faria a fusão dos ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura.

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No entanto, não criou o tal superministério.

Para a Agricultura, Bolsonaro indicou Tereza Cristina (DEM). Já para o Meio Ambiente, o nomeado foi Ricardo Salles, investigado por favorecer empresas e prejudicar o meio ambiente.

Amanda Gushiken

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