Ambev (ABEV3) pode subir 23%, mas o segredo não está só no volume; entenda
A conta da cerveja pode ser mais interessante do que o volume servido no copo. Em relatório sobre a Ambev (ABEV3), os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla mantêm recomendação de compra para a ação, com preço-alvo de R$ 20, ante cotação de R$ 16,29. O potencial de valorização é de 22,8%, enquanto o retorno total estimado chega a 29,9%, considerando dividend yield projetado de 7,1%.
A leitura dos analistas é que o mercado pode estar olhando demais para o volume de cerveja no Brasil e pouco para outros fatores que sustentaram os resultados recentes da companhia, como mix, preços e controle de despesas. Como resume o relatório, a pergunta para o 2T26 é: “e se os volumes não contarem a história toda?”.
Ambev (ABEV3) pode surpreender além dos volumes
Para o segundo trimestre de 2026, os analistas estimam alta de 6,7% nos volumes de cerveja da Ambev (ABEV3) no Brasil. O número leva em conta a recuperação de participação de mercado da companhia desde o desempenho mais fraco do ano passado, além do efeito da Copa do Mundo sobre o sell-in do setor.
Segundo o relatório, dados da Nielsen apontaram queda de 2,6% nas vendas de cerveja em abril e de 1% em maio, na comparação anual. Ainda assim, o torneio pode ter impulsionado os volumes de junho, levando a indústria a crescer cerca de 2% no trimestre. Com ganho estimado de 200 a 300 pontos-base de participação de mercado, a Ambev (ABEV3) poderia adicionar mais 4% a 5% sobre o desempenho do setor.
Mas o ponto principal está nos preços. Os analistas projetam aumento de 0,4% na receita por hectolitro de cerveja no Brasil frente ao trimestre anterior e alta de 5,1% na comparação anual, mesmo após uma base forte de preços no 1T26.
Margens e despesas entram no radar
O relatório também chama atenção para os custos e despesas. No Brasil Beer, o custo por hectolitro deve subir 6,2% no trimestre, depois de alta de 14,6% no 1T26. A pressão reflete commodities mais caras e a desvalorização do real no primeiro semestre de 2025, já que a companhia costuma fazer hedge de custos com antecedência de 10 a 14 meses.
Por outro lado, as despesas comerciais, gerais e administrativas devem piorar após trimestres positivos. O relatório cita o retorno de pagamentos de bônus, diante da recuperação de volumes, e maiores gastos de marketing ligados à Copa do Mundo.
No consolidado, os analistas estimam EBITDA de R$ 6,3 bilhões no 2T26, alta de 1,8% na comparação anual, com margem de 30,8%, praticamente estável. O lucro líquido projetado é de R$ 3 bilhões, avanço de 10%.
Para a Ambev (ABEV3), o relatório mantém a tese de longo prazo positiva, mas com uma ressalva para o trimestre: “pela primeira vez em mais de uma década, fatores específicos da companhia parecem estar virando a seu favor”, embora o consenso possa estar otimista demais, especialmente em volumes de cerveja no Brasil e evolução das despesas.