Analistas veem SpaceX (SPCX) subir 40% e mirar receita de US$ 1 tri
A SpaceX (SPCX) não quer apenas lançar foguetes. Na visão do BTG Pactual, a companhia transformou o acesso ao espaço em uma espécie de avenida própria para capturar negócios que vão de internet via satélite a inteligência artificial. O banco iniciou cobertura da ação com recomendação de compra e preço-alvo de US$ 225, o que representa potencial de alta de 40% sobre o preço de US$ 160,42 considerado no relatório.
O documento chama a tese de “o fosso competitivo mais amplo do universo”. Segundo o BTG, a SpaceX (SPCX) reúne duas características raras: um mercado endereçável gigantesco, ligado à economia espacial, e uma vantagem competitiva difícil de replicar na colocação de massa em órbita.
SpaceX (SPCX) tem “quase monopólio” do caminho ao espaço
O principal ponto da tese é a capacidade de lançamento. O BTG afirma que a reutilização dos foguetes não é apenas um marco tecnológico, mas uma curva de aprendizado acumulada. Em 2019, a SpaceX (SPCX) fez 13 missões da família Falcon. Em 2025, esse número chegou a 165 voos, quase um lançamento a cada dois dias.
Para os analistas, mesmo que um concorrente desenvolvesse hoje um primeiro estágio reutilizável de forma rotineira, ainda estaria pelo menos uma década atrás em repetição operacional, dados de voo, otimização de fornecedores e ritmo de lançamentos.
O relatório também destaca que o Falcon 9 reduziu o custo de lançamento para cerca de US$ 2,7 mil por quilo, 85% abaixo da média histórica da indústria. Com o Starship, a meta é uma queda de aproximadamente 99% no custo para chegar à órbita em relação ao padrão histórico.
Starlink e IA puxam a tese trilionária
O BTG não vê a SpaceX (SPCX) apenas como uma empresa de lançamentos. A casa divide a tese em três verticais: espaço, conectividade e inteligência artificial. A Starlink já é o motor mais concreto dessa estratégia, com mais de 10 milhões de clientes em mais de 160 países e uma constelação próxima de 10 mil satélites.
Para 2031, o BTG projeta receita de US$ 1 trilhão para a SpaceX (SPCX). A maior parte viria de inteligência artificial, com capacidade média instalada de 62 GW monetizada a cerca de US$ 11,2 por watt. A conectividade também teria peso relevante, com 135 milhões de assinantes de banda larga e 832 milhões de assinantes móveis.
Os analistas estimam que a SpaceX (SPCX) alcance US$ 40,8 bilhões de receita em 2026, mais que o dobro dos US$ 18,7 bilhões de 2025. No modelo do banco, IA representa 59% do preço-alvo, conectividade responde por 37% e o segmento espacial fica com 4%.
Riscos ainda são grandes
Apesar da visão positiva, o relatório lista riscos relevantes. Entre eles estão a dependência de Elon Musk, a execução do Starship, a viabilidade econômica de data centers orbitais, possíveis conflitos com outras empresas do ecossistema Musk e riscos geopolíticos, regulatórios e de segurança espacial.
Ainda assim, o BTG afirma que a SpaceX (SPCX) combina um mercado endereçável “literalmente, todo o espaço” com uma vantagem competitiva que poucos concorrentes conseguem enfrentar. Como resumem os analistas, “foguetes são meios, não fins”, já que a infraestrutura de lançamento permite construir negócios muito maiores sobre ela.