Com a escalada da Selic, a renda fixa vale mesmo a pena?

Com a escalada da Selic, a renda fixa vale mesmo a pena?
Calculadora. Foto: Pixabay

Enquanto a taxa básica de juros (Selic) estava bem mais baixa, investidores eram naturalmente atraídos para a renda variável. Com a Selic subindo pela quinta vez consecutiva, a renda fixa parece estar mais atraente. Mas será que vale mesmo apostar tudo na renda fixa?

A renda fixa e a renda variável são inversamente proporcionais — ou seja, quando a Selic está alta, os investidores tendem a migrar para primeira porque os riscos são menores. Quando a taxa de juros da economia está baixa, os investidores podem se arriscar um pouco na renda variável, buscando ganhos maiores.

Agora, após um período em sua mínima histórica, a Selic volta à sua escalada, com a política monetária mais firme do Banco Central (BC) para tentar conter a alta dos índices de inflação. Nesta quarta-feira (22), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) aumentou a taxa básica de juros em 1 ponto percentual, para 6,25% ao ano, e promete outro aumento de 1 ponto percentual na próxima reunião.

Pesquisa de agosto da XP sobre Sentimento de Mercado mostrou que os investidores estão mais interessados por renda fixa e Tesouro Direto, com o avanço da taxa básica de juros. De acordo com o levantamento, o apetite por Tesouro Direto e renda fixa cresceu 27 pontos percentuais entre julho e agosto. Cerca de 16% dos investidores pretendem aumentar suas posições nessa classe de ativos, uma queda de 20 p.p. em relação a julho.

Os analistas explicam o movimento. Jansen Costa, sócio fundador da Fatorial Investimentos, explica que “a alta da Selic influencia no mercado de renda fixa porque ela fica automaticamente mais interessante. Os pós-fixados começam a render mais com a alta da Selic.”

Em relação ao prefixado atrelado ao IPCA, Costa acredita que haverá uma mudança expressiva, após essa recente alta da Selic, “pois essa alta de juros já foi precificada anteriormente.”

“O investidor já deveria ter se antecipado, já que o mercado vem dando há um tempo boas oportunidades no prefixado com taxas elevadas. Como na semana passada o mercado acreditava em uma alta de 1,25% na Selic e essa expectativa mudou para 1% após a fala do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, quem aplicou em prefixado na semana anterior está ganhando mais dinheiro do que aplicando agora”, destaca.

A renda fixa “tá on?” A variável também

Na avaliação de João Beck, economista e sócio da BRA, “depende da renda fixa.” Ele explica que a categoria que tem gerado mais ganho ao acionista e apresentado maior rentabilidade é a renda fixa pós fixada.

Como a taxa de juros tem vindo, sequencialmente, mais alta do que o esperado, lembra ele, a renda fixa pós fixada ainda é a categoria de aplicação mais recomendada no momento.

Mas será que, com a renda fixa ‘on’, a renda variável ficou ‘off’? Não necessariamente. Beck explica que, sempre que a Selic sobe, o mercado já coloca isso na conta de maneira simultânea. Assim, com a alta da taxa de juros, a Bolsa já tende a cair e os preços já ficam mais atrativos.

Atualmente, os últimos balanços divulgados por empresas surpreenderam positivamente o mercado. Como a Bolsa de Valores parece não estar respondendo a esse estímulo, então, afirma Beck, a renda variável está barata, de certo modo.

O economista pondera que alguns investidores estão deixando a renda variável de lado porque estão com medo do cenário macroeconômico. O temor com a crise hídrica aumenta, por exemplo, e, com ele, cresce a ameaça da inflação. A retomada da economia está cercada de incertezas. Existem o risco fiscal e a demora na aprovação de reformas. Sem contar a possibilidade de a crise com a incorporadora Evergrande, ainda ameaçada de dar um calote bilionário, se acentuar — mesmo com sinalizações de que a companhia vá pagar parte da dívida. Além disso, o crescimento dos Estados Unidos tem levado parte dos investidores para lá.

Apesar de todas essas variáveis, a Bolsa de Valores ainda continua atraente, na avaliação de João. “Se considerarmos que as empresas vão continuar entregando bons resultados, você tem uma Bolsa muito mais valiosa e chamativa aos investidores”, ressalta.

A dúvida, portanto, permanece. Se a renda fixa e a renda variável continuam como boas opções, qual tipo de investimento se deve priorizar em tempos de escalada da Selic?

Para Beck, se levarmos em consideração todos os tipos de investimentos disponíveis no Brasil, o que está mais barato é a Bolsa brasileira. Ele considera que, mesmo com os riscos da economia do país, a Bolsa se mantém como a melhor e mais rentável alternativa no momento.

Investir com cuidado

Antes de qualquer investimento é importante ressaltar que quitar as dívidas e fazer uma reserva de emergência deve sempre ser a prioridade. Os analistas da SUNO Research sempre salientam que é necessário antes poupar dinheiro para depois investir, e nunca se endividar para investir ou investir endividado. Esta matéria não é uma recomendação de investimento.

Laura Moutinho

Compartilhe sua opinião

Comece 2022 investindo nos melhores FIIS

Baixar agora!