Conselheiro de Moro, Pastore diz que o ex-juiz compartilha de suas ideias e pode resgatar responsabilidade fiscal

Conselheiro de Moro, Pastore diz que o ex-juiz compartilha de suas ideias e pode resgatar responsabilidade fiscal
O economista Affonso Celso Pastore é conselheiro do ex-juiz Sergio Moro Marcos Oliveira/Agência Senado

Um dos mais respeitados economistas do Brasil, Affonso Celso Pastore ganhou as manchetes nos últimas dias ao ser apontado como conselheiro econômico do projeto presidencial que o ex-juiz da Lava Jato e ex-ministro Sergio Moro tenta construir.

“Crítico total” do governo Bolsonaro, como gosta de ressaltar, Pastore nega a possibilidade de vir a ocupar o cargo de ministro da Economia em um eventual governo Sergio Moro, mas diz que ficará à disposição para colaborar com país 24 horas por dia, se for preciso. “Um cidadão de 84 anos de idade não se mete em uma função executiva. Eu posso trabalhar 24 horas por dia, mas na minha casa, no campo das ideias. Estou fora desse jogo, too old to this…”, disse Pastore em entrevista ao SUNO Notícias.

A extensa carreira de Pastore e as credenciais que acumula – doutor em economia, foi presidente do Banco Central entre 1983 e 19585 e além de atuar como consultor econômico também foi professor na USP, no Insper e na FGV – são apostas de Moro para tentar abrir caminho entre a elite econômica do Brasil. Segundo Pastore, Moro é seu conhecido desde quando atuava como juiz da Lava Jato.

“Ele tem ideias muito semelhantes às minhas, aí nasceu uma colaboração que nós estamos tocando informalmente”, diz Pastore. Na visão do economista, a convergência de ideias entre os dois pode produzir para uma política econômica capaz de resgatar a responsabilidade fiscal – demolida pela PEC dos Precatórios, na opinião do ex-BC – e, a partir disso, gerar “um país que se desenvolva, um país que melhore a distribuição de renda, que cuide das minorias e aumente a eficiência econômica”.

Essa pauta, no entanto, não se restringe a Sergio Moro, mas também está no discurso de outros possíveis candidatos, como João Doria, Eduardo Leite e Henrique Mandetta, citados por Pastore. O economista defende uma união entre os pré-candidatos que atualmente congestionam a chamada “terceira via” e também se diz disposto a colaborar com um projeto político capaz de enfrentar o ex-presidente Lula e o presidente Jair Bolsonaro, atualmente líderes nas pesquisas de intenção de voto.

“Se ele [Moro] não for candidato, se um outro candidato da terceira via for mais viável, as ideias estão aí para serem usadas. Estamos cooperando com o Moro, mas reputo que essas ideias são um bem público, elas estão à disposição de quem da terceira via tiver chances de ganhar a eleição, se postar e dirigir o país”.

PEC dos Precatórios é “cavalo de Troia”

Questionado sobre a estratégia do governo Jair Bolsonaro para aumentar o espaço fiscal no ano eleitoral, a PEC dos Precatórios, Affonso Celso Pastore diz que o governo enviou um cavalo de Troia ao Congresso. Segundo o governo, a proposta de mudar o cálculo do reajuste do teto de gastos e de estabelecer um limite para o pagamento das dívidas do governo reconhecidas na Justiça é necessária para pagar o Auxílio Brasil de R$ 400, como quer o presidente da República.

“Para poder fazer essa transferência eles precisavam de R$ 35 bilhões a mais do que está hoje no Bolsa Família. Eles geraram R$ 90 bilhões [de espaço fiscal a mais]. O combate à pobreza no Brasil custa muito pouco, é perfeitamente compatível com o teto de gastos”, pontua Pastore, citando economistas brasileiros que são referência no desenho de políticas de transferência de renda, como Ricardo Paes de Barros e Marcos Mendes.

O custo de credibilidade para o país ao alterar o teto de gastos é praticamente inviabilizar o andamento da agenda de reformas, argumenta o economista. “Sem âncora fiscal, você não tem capacidade de ter estabilidade macroeconômica para fazer as reformas”.

Nem Lula, nem Bolsonaro

Na avaliação de Pastore, o governo Bolsonaro é “de péssima qualidade”, com faltas graves em termos de estratégia e sem um “programa econômico que faça sentido”. Já um novo governo de Lula representa uma incógnita.

“Tem dois Lulas: o Lula 1 e o Lula 2. Lula 1 foi responsável, Lula 2 não foi. Será que o [presidente seria] Lula 1 ou seria Lula 2?”, provoca, para então questionar as credenciais democráticas do petista. “Ele deu uma resposta recentemente na qual comparou os 16 anos de [governo da chanceler da Alemanha, Angela] Merkel ao [presidente da Nicarágua] Daniel Ortega. Se isso é conceito de democracia, a minha avó é um bonde elétrico.”

Gregory Prudenciano

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