Itaú BBA eleva AES Brasil (AESB3) para compra com melhoras de chuvas e plano de crescimento

Itaú BBA eleva AES Brasil (AESB3) para compra com melhoras de chuvas e plano de crescimento
Com seca e crise hídrica, companhias de geração de energia, como a AES, tiveram baixas nas ações em 2021 - Foto: Agência Brasil

O time de analistas do Itaú BBA elevou para ‘outperform’ – rótulo que denota desempenho acima do mercado – as ações da AES Brasil (AESB3) na retomada da cobertura do ativo. Anteriormente, o banco tinha recomendação neutra para a elétrica.

O preço-alvo para as ações da AES é de R$ 14,40 para 2022, valor nominalmente abaixo da previsão de R$ 17,10 o final de 2021. Os motivos citados para o movimento ‘contraditório’ são o maior custo de capital e o preço de energia do longo prazo em simultâneo com a melhora de expectativas.

Segundo os analistas do Itaú BBA, a AES teve uma melhora de perspectivas com o aumento de chuvas, o que reduziu o risco da alta de racionamento e alta de preços da energia elétrica. Com isso, os papéis da AES caem cerca de 32% no acumulado anual, cotadas a R$ 11,30 por ação ordinária – o que, para os analistas, deixa os múltiplos atraentes com uma provável recuperação na geração hidrelétrica.

“A AES teve um dos piores desempenhos no acumulado do ano e agora está negociando com uma avaliação muito atraente. Além disso, sua perspectiva de curto prazo melhorou substancialmente, dadas as condições hidrológicas muito melhores, um GSF (Generation Scaling Factor, medida que mensura risco hidrológico) em déficit e preços spot mais baixos em 2022″, diz o relatório do banco de investimento.

Os analistas frisam que gostam da estratégia de crescimento da empresa e acreditam que a mesma deve gerar valor aos acionistas por meio de desenvolvimento ou aquisição de ativos renováveis.

Segundo o BBA, as expectativas para os níveis dos reservatórios melhoraram, apoiando nossa tese de que o racionamento de energia é improvável para 2022.

Reservatórios mais cheios, melhor desempenho para a AES

Após meses de baixa nos reservatórios, as projeções miram um crescimento gradual do nível dos reservatórios da companhia, com cerca de 55% em abril de 2022, saindo de um nível próximo de 25% entre outubro e novembro deste ano.

Além disso, as previsões sazonais de precipitação e temperatura do centro de meteorologia da Universidade de Columbia divulgadas em novembro apontam para precipitações próximas do longo prazo na região sudeste do Brasil ao longo da estação chuvosa.

Isso deve ocorrer juntamente com os efeitos fenômeno La Niña, que traz chuvas intensas nas áreas do norte de Brasil, junto com menor precipitação na região Sul.

Alocação de portfólio é ‘vantagem competitiva’

Citando os ativos sob a gestão da elétrica, a equipe de análise frisa que a capacidade instalada da empresa possui uma expansão promissora para os próximos anos.

Em seguida, destacam que o movimento recente, de assinatura de uma Power purchase agreement (PPA) no Alcoa (com 150 MWm de geração de energia convencional) previsto para iniciar em 2024 deve ser um bom driver de resultados.

“A empresa tem a opcionalidade de a reserva deste PPA em seu portfólio hídrico ou o desenvolvimento de uma nova etapa do Complexo Eólico Cajuína. Nós presumimos que a AES avançará com a segunda alternativa, dado o benefício adicional do spread”, frisam os analistas.

Follow-on no radar

No relatório, também é destacado como ponto positivo o fato de que a companhia conclui uma capitalização da ordem de R$ 1,12 bilhão em outubro, com a emissão de 93 milhões de ações da empresa.

O capital levantado, conforme especificado pela própria AES, deve ser direcionada para financiar o crescimento de seu portfólio de energia renovável, considerando que a mesma planeja aumentar sua capacidade eólica com os recursos subsequentes, ampliando o Complexo da Cajuína.

Eduardo Vargas

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