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Ação da Petrobras (PETR4) está “extremamente descontada”, diz BB-BI

Ação da Petrobras (PETR4) está “extremamente descontada”, diz BB-BI
Petrobras (PETR4). Foto: Agência Petrobras/Geraldo Falcão

O BB Investimentos publicou nesta quinta (2) um relatório sobre os recentes anúncios da Petrobras (PETR4) — com destaque para o aumento no capex total, a mudança na política de dividendos e o reforço das metas de descarbonização –, enxergando potencial de valorização dos papéis da companhia.

Daniel Cobucci, analista CNPI que assinou o documento do BB-BI, definiu um preço-alvo para as ações da Petrobras no final de 2022 em R$ 36, uma valorização estimada em 21,6%. Mas o relatório demonstra que a estatal tinha potencial para fazer mais.

O especialista argumenta que os novos critérios da petroleira, com a forte priorização de remuneração aos acionistas, podem não ser a melhor alocação de capital. “Isso porque o atingimento da meta de endividamento, associado à boa perspectiva de geração de caixa, poderia permitir o investimento em projetos que tragam retorno e tenham sinergia com o portfólio“, argumenta.

O relatório do BB-BI explora as “lacunas” deixadas pelo plano de negócios da estatal para o próximo quinquênio. A Petrobras perde, por exemplo, de acordo com a análise, a oportunidade ao não sinalizar intenção de maior diversificação das receitas e não ser mais agressiva em explorar modelos que capturem ganhos no cenário de transição energética (tal como o ESG — Environmental, social and corporate governance).

“Em nosso entendimento, as condições atuais de dívida e geração de caixa poderiam permitir uma Petrobras que ultrapassasse seu papel de forte exportadora de petróleo cru, olhando possíveis ganhos a serem obtidos em setores onde possui elevada sinergia e que poderiam ser interessantes para a perenidade da companhia sem uma dependência extrema dos ciclos de petróleo”, diz o analista.

“Acreditamos que isso é possível de se realizar sem comprometer a forte expectativa em torno da rentabilidade e resultados futuros da companhia, ao mesmo tempo em que promove a abertura dos mercados em que hoje é hegemônica, mas mantendo sua relevância no abastecimento do mercado doméstico.”

Entretanto, o relatório reitera que não vê problemas na tese de investimentos da companhia. Pelo contrário: “a alta produtividade dos campos do pré-sal, notadamente Búzios e Tupi, aliada a uma boa resiliência em relação aos custos de extração (lifting cost), deixa a companhia em uma posição extremamente favorável em termos de geração de caixa, e os múltiplos baixos, dado o EV/EBITDA 2022 em 2,6x, colaboram na manutenção da recomendação. Ou seja, mantidas as condições atuais, a companhia está extremamente descontada“.

Para BB-BI, Petrobras não deveria vender a Braskem

Sobre os destaques do plano de negócios da Petrobras, o BB-BI afirma que o aumento do capex (investimentos) é um dos pontos fortes, tendo aumentado de US$ 55 bilhões no plano anterior para US$ 68 bilhões no período 2022-26, crescimento de 24%.

Após essa fase de expansão, o pré-sal deve ganhar ainda mais relevância no portfólio da companhia, passando de 70% da produção total, para 79% em 2026. A principal vantagem de uma maior participação no pré-sal, segundo a análise, é o efeito de diluição de custos, já que a produtividade nesses campos é muito elevada, o que acaba reduzindo o lifting cost total.

Mas a companhia também anunciou que pretende arrecadar entre US$ 15 bilhões e US$ 25 bilhões com desinvestimentos – entre eles, a venda de ativos como a Braskem (BRKM5), que possui retornos elevados, com expectativa de 77% para 2022, de 32% para 2023, segundo consenso do Bloomberg.

Mas o BBI não acha essa a melhor escolha, pois a Braskem poderia adquirir um papel estratégico para a petroleira, diz o relatório. Não apenas pelo fato de a estatal ser a fornecedora de um dos principais insumos utilizados pela Braskem, a nafta, mas sobretudo pelo potencial de direcionar a companhia à estratégias de sustentabilidade, tão em voga atualmente.

“Assim, considerados todos esses fatores, nos parece fazer mais sentido para a Petrobras a compra de parte adicional da Braskem do que um desinvestimento do ativo, como é o planejado atualmente”, conclui o relatório do BB-BI.

Bruno Galvão

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