Pessoa física compra R$ 198 milhões líquidos em FIIs em uma semana
A pessoa física encerrou a semana de 14 a 18 de setembro com R$ 198,1 milhões em compras líquidas de fundos imobiliários, enquanto os investidores institucionais locais foram vendedores líquidos de R$ 266,2 milhões. Os investidores estrangeiros também ficaram na ponta compradora, com entrada líquida de R$ 68,1 milhões no período.
Os dados constam do Relatório de Fluxo de Investidores e Liquidez da Lareal (Latin America REITs Association), divulgado nesta quarta-feira (23). No total, 308 FIIs foram negociados, somando R$ 2,39 bilhões em volume. O volume médio diário do mercado atingiu R$ 478,6 milhões.
O levantamento define fluxo líquido como a diferença entre compras e vendas por classe de investidor. Saldo positivo indica aumento de posição; saldo negativo, redução. Como toda compra tem contraparte vendedora, a soma dos fluxos entre as classes tende a zero.
Pessoa física amplia posição em FIIs de tijolo
A maior parte do saldo comprador do varejo concentrou-se nos FIIs de tijolo. Essa categoria recebeu R$ 171,6 milhões líquidos da pessoa física na semana, enquanto os institucionais locais venderam R$ 216,5 milhões. Os estrangeiros, por sua vez, compraram R$ 44,9 milhões líquidos.
Os fundos de tijolo também lideraram a liquidez. Foram R$ 1,45 bilhão negociados por 135 FIIs, equivalentes a 60,6% de todo o volume semanal. A média diária alcançou R$ 289,9 milhões, 39% acima da referência do ano calculada pelo relatório.
Entre os segmentos de imóveis físicos, os fundos logísticos movimentaram R$ 638,3 milhões, ou 26,7% do mercado de FIIs no período. Em seguida vieram os fundos de shopping centers, com R$ 300,2 milhões, e os diversificados, com R$ 284,9 milhões. As lajes corporativas somaram R$ 136,2 milhões, enquanto renda urbana respondeu por R$ 84,4 milhões.
O movimento também alcançou os FIIs de papel. A pessoa física teve entrada líquida de R$ 22,8 milhões nesse segmento. Os estrangeiros compraram R$ 24,4 milhões, enquanto os institucionais locais venderam R$ 47,2 milhões. Ao todo, os FIIs de papel somaram R$ 709,7 milhões, ou 29,7% do mercado na semana.
XPML11, MXRF11 e HGLG11 entre os mais comprados
As diferenças entre classes de investidores aparecem com clareza nos fundos individuais. Entre as pessoas físicas, o XPML11 (XP Malls) liderou as compras líquidas, com R$ 39,6 milhões, seguido por MXRF11 (Maxi Renda), com R$ 35,6 milhões, e HGLG11 (CSHG Logística), com R$ 34,8 milhões.
O GGRC11 (GGR Covepi Renda), com R$ 22,3 milhões, e o HGRU11, com R$ 22 milhões, completaram os cinco maiores saldos compradores do varejo. Na outra ponta, o TRXF11 (TRX Real Estate) foi o FII mais vendido pela pessoa física, com saldo negativo de R$ 30 milhões.
Apesar disso, o TRX Real Estate registrou o maior volume médio diário de negociação do mercado, de R$ 48 milhões, equivalente a duas vezes sua referência de 2026 considerada pelo estudo. O fundo também apresentou fluxos líquidos opostos entre as classes: o varejo terminou vendedor, enquanto os estrangeiros compraram R$ 48,3 milhões, o maior saldo positivo no ranking dos não residentes.
O CSHG Logística mostrou padrão semelhante. A pessoa física comprou R$ 34,8 milhões líquidos e os estrangeiros, R$ 20,2 milhões, enquanto os institucionais locais venderam R$ 54,9 milhões. Entre todos os FIIs, esse foi o maior saldo vendedor da classe institucional.
Os dados, portanto, indicam uma semana em que o saldo vendedor dos institucionais locais teve como contraparte, sobretudo, a entrada do investidor pessoa física e dos estrangeiros. O relatório registra os fluxos de negociação e não aponta os motivos que levaram cada grupo a comprar ou vender determinado FII.
Veja os principais movimentos entre os FIIs
- XP Malls — maior compra líquida da pessoa física, com R$ 39,6 milhões. Em sentido contrário, foi o FII mais vendido pelos investidores estrangeiros, com saída líquida de R$ 39 milhões. O fundo movimentou, em média, R$ 31 milhões por dia.
- Maxi Renda — recebeu R$ 35,6 milhões líquidos da pessoa física, segundo maior saldo comprador do varejo. Entre os institucionais locais, porém, houve venda líquida de R$ 36,5 milhões. O ADTV foi de R$ 25 milhões, equivalente a 1,6 vez sua referência do ano.
- CSHG Logística — teve compras líquidas de R$ 34,8 milhões pela pessoa física e R$ 20,2 milhões pelos estrangeiros. Os institucionais venderam R$ 54,9 milhões líquidos. O fundo negociou R$ 28,1 milhões por dia, equivalente a 1,8 vez sua referência do ano.
- GGR Covepi Renda — ficou entre os cinco FIIs mais comprados pela pessoa física, com entrada líquida de R$ 22,3 milhões, enquanto os institucionais locais venderam R$ 26,5 milhões. Seu volume médio diário alcançou R$ 12,2 milhões.
- TRX Real Estate — liderou a liquidez do mercado, com R$ 48 milhões negociados por dia. O varejo vendeu R$ 30 milhões líquidos, enquanto estrangeiros compraram R$ 48,3 milhões. O giro diário correspondeu a duas vezes a referência do ano indicada pelo relatório.