Banco Pine (PINE4) afunda 20%, mas analistas enxergam alta de 38%

Uma queda de 20% em apenas um mês costuma acender o sinal vermelho, mas, desta vez, o Safra vê uma porta de entrada. Mesmo após o tombo das ações do Banco Pine, a instituição manteve a recomendação de compra para PINE4 e definiu preço-alvo de R$ 15, que indica potencial de valorização de 38%.

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A análise foi atualizada depois do balanço do segundo trimestre de 2026 e da revisão das premissas macroeconômicas. Para o Safra, a recente desvalorização parece excessiva diante das perspectivas de crescimento dos resultados, embora os riscos relacionados ao ciclo de crédito permaneçam no radar.

O banco de investimentos também elevou suas projeções para o lucro líquido do Pine. As estimativas passaram para R$ 685 milhões em 2026 e R$ 773 milhões em 2027, valores 34% e 33% superiores, respectivamente, às previsões anteriores.

Banco Pine pode ampliar carteira de crédito

Um dos principais fatores por trás da revisão foi o aumento de capital de R$ 246 milhões concluído no primeiro trimestre. Segundo o Safra, os recursos podem sustentar aproximadamente R$ 2 bilhões em expansão adicional da carteira de crédito ao longo de 2026.

A expectativa é que a carteira alcance cerca de R$ 7,4 bilhões até dezembro. O crescimento deve ser apoiado por reajustes nas taxas, refinanciamentos e maior exposição a clientes com bom histórico de pagamento.

A administração passou a priorizar a ampliação dos limites de clientes que já fazem parte da base, reduzindo a dependência de novas originações. Dentro dessa carteira, o Pine estima possuir aproximadamente R$ 2,5 bilhões em capacidade adicional para concessão de crédito.

A estratégia sinaliza uma expansão mais disciplinada em um momento de deterioração da qualidade dos ativos no sistema financeiro. Embora o Safra observe alguma piora nos indicadores do setor, considera que o Pine ainda mantém a inadimplência sob controle.

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Consignado exige cautela

O crédito consignado privado aparece entre os principais pontos de atenção. Os volumes registrados em julho e agosto ficaram abaixo da média mensal observada no segundo trimestre, em meio aos efeitos do teto de juros aplicado à modalidade.

Diante desse cenário, a administração indicou que o produto não deverá representar mais de 35% da carteira total. A intenção é trabalhar o consignado de maneira oportunística, priorizando operações com uma relação mais favorável entre risco e retorno.

No crédito consignado do INSS, a possível expiração da medida provisória ligada ao programa Desenrola poderia elevar novamente a margem consignável de 40% para 45%. O Safra trata essa possibilidade como um risco positivo para suas estimativas, sem incorporá-la como premissa central.

PINE4 está barata?

Apesar de manter uma visão positiva para as ações, o Safra reduziu de 25% para 22% sua estimativa de retorno sobre o patrimônio líquido de longo prazo. A mudança considera o ambiente mais desafiador para o crédito e a estratégia mais conservadora adotada pela administração.

Ainda assim, os papéis negociam a quatro vezes o lucro projetado para 2026 e a 3,6 vezes o resultado estimado para 2027. Em relação ao patrimônio líquido, os múltiplos previstos são de 1,3 vez neste ano e 1,1 vez no próximo.

Para o Safra, esses níveis podem representar um ponto de entrada, mas a tese depende da execução do crescimento disciplinado e do controle da inadimplência. O desempenho do Banco Pine (PINE4) também poderá ser afetado por mudanças nas regras do consignado, deterioração do mercado de trabalho e um cenário macroeconômico mais fraco em 2027, enquanto o preço-alvo de R$ 15 sustenta o potencial de alta de 38%.

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Maíra Telles

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