Cogna (COGN3) pode roubar a cena no 2T26; entenda o motivo

A temporada de balanços do setor de educação deve vir sem grandes sustos, mas a Cogna (COGN3) pode fugir um pouco desse roteiro. Enquanto a maior parte das companhias deve apresentar crescimento moderado e margens estáveis, a Cogna (COGN3) tende a registrar o avanço mais forte de receita no segundo trimestre, segundo análise do Safra.

O principal impulso vem do calendário de vendas do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), que concentra receitas relevantes no período.

Apesar do destaque, o banco alerta que esse crescimento não significa necessariamente uma melhora estrutural do principal negócio da companhia. A maior participação das receitas do PNLD também tende a pressionar a margem operacional do trimestre.

Ensino a distância ainda limita o setor

Para o Safra, o crescimento das empresas de educação continua sendo limitado pela retração das matrículas no ensino a distância.

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A modalidade segue com queda de dois dígitos, enquanto os cursos híbridos absorvem parte dessa demanda e o ensino presencial avança em ritmo mais moderado.

Com menos alunos entrando, o aumento do ticket médio passa a ter um papel mais importante na expansão da receita. A redução dos descontos também ajuda a sustentar os preços cobrados pelas instituições.

Nesse cenário, companhias com maior exposição a cursos de medicina e outras graduações da área da saúde tendem a apresentar resultados mais resilientes.

Margens devem ficar estáveis

No consolidado do setor, o Safra espera margens próximas às registradas no mesmo período do ano passado.

A queda do ensino a distância continua pressionando a rentabilidade, já que essa modalidade costuma apresentar margens mais elevadas. Por outro lado, melhora da inadimplência, normalização das despesas de marketing e programas de eficiência devem compensar parte desse efeito.

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Entre as empresas analisadas, a Ânima (ANIM3) deve apresentar a maior expansão de margem. A Yduqs (YDUQ3) tende a manter rentabilidade semelhante à do ano anterior, enquanto a Vitru (VTRU3) pode registrar leve retração.

Cogna também pode se destacar no caixa

O segundo trimestre costuma ser mais fraco para a geração de caixa das empresas de ensino superior, porque os principais recebimentos ficam concentrados nos ciclos de captação de alunos, enquanto os custos permanecem distribuídos ao longo do semestre.

Por isso, o Safra espera fluxo de caixa livre negativo e aumento da dívida líquida para a maior parte das companhias.

A exceção deve ser a Cogna (COGN3), beneficiada pelos recebimentos relacionados ao PNLD. Na visão do banco, o trimestre representa uma pausa no ritmo de recuperação do setor, e não uma mudança de tendência. A preferência segue voltada para empresas com portfólios mais defensivos, maior presença em cursos de maior valor agregado e trajetória consistente de redução do endividamento.

Maíra Telles

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