Americanas: fraude de R$ 40 bi volta ao centro do mercado com nova mira da PF

A Americanas voltou ao radar do mercado após uma nova fase da Operação Disclosure ampliar o alcance das investigações sobre a fraude contábil revelada em 2023. Desta vez, a Polícia Federal mira não apenas ex-executivos da varejista, mas também pessoas ligadas aos acionistas de referência, ex-integrantes do conselho de administração e executivos de bancos.

O escândalo começou em 11 de janeiro de 2023, quando a Americanas informou a existência de dívidas não reconhecidas de R$ 20 bilhões. No dia seguinte, as ações da companhia despencaram 77%. Pouco depois, com as dívidas recalculadas para mais de R$ 40 bilhões, a varejista pediu recuperação judicial para evitar a falência imediata.

O que a PF investiga agora?

A explicação inicial para a fraude era de que a Americanas usava empréstimos bancários para pagar fornecedores antecipadamente, mas não registrava essas operações como dívida financeira. Em vez disso, reduzia a conta de fornecedores, escondendo o passivo real no balanço.

A prática ficou conhecida como risco sacado e ajudou a mascarar as chamadas inconsistências contábeis da varejista.

A investigação também apura contratos de Verba de Propaganda Cooperada, ligados a descontos e incentivos comerciais de fornecedores. Segundo a apuração, esses contratos teriam sido criados artificialmente e lançados no balanço sem lastro econômico real, inflando os lucros operacionais da companhia.

Com balanços adulterados e falsos lucros, a cúpula executiva teria recebido bônus milionários por metas atingidas de forma fraudulenta. Além disso, diretores venderam mais de R$ 200 milhões em ações da empresa meses antes de o escândalo vir à tona, em suspeita de uso de informação privilegiada.

Com a nova fase da Operação Disclosure, os alvos passaram a incluir o empresário Beto Sicupira e Paulo Alberto Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann. Procurados, eles e a Americanas não responderam aos pedidos de entrevista até a publicação da reportagem.

A operação também atinge executivos de Itaú, Bradesco e Santander, além de ex-integrantes do conselho de administração da companhia. A Justiça determinou o bloqueio e sequestro de até R$ 54 bilhões em bens dos investigados.

Segundo o Santander, o banco está “ao lado das partes prejudicadas na apuração das fraudes envolvendo a Americanas” e segue colaborando com as autoridades. O Itaú afirmou que não é investigado e que colabora com as autoridades desde 2023, tendo prestado informações sobre o caso. O Bradesco não respondeu ao pedido de entrevista.

O Itaú também declarou que sofreu perdas bilionárias com o episódio e que já comprovou a lisura de sua conduta e da atuação de seus funcionários por meio de documentos apresentados à Justiça. Segundo o banco, os registros mostram que a instituição recusou pedidos da antiga gestão da Americanas para alterar cartas de circularização de balanços.

Na prática, a nova fase da investigação muda o patamar da crise da Americanas. O caso, que no início era tratado como uma fraude concentrada na antiga diretoria executiva, agora avança sobre possíveis responsabilidades no topo da estrutura societária e no sistema financeiro.

 

Com Estadão Conteúdo

Redação Suno Notícias

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