Braskem (BRKM5) dispara com OPA, mas oferta não é em dinheiro; entenda
A Braskem (BRKM5) disparou na Bolsa nesta quinta-feira (11), após informar que recebeu correspondência do Shine I Fundo de Investimento em Participações sobre o protocolo do pedido de registro de uma oferta pública de aquisição de ações, a OPA. O movimento animou os investidores, mas o fato relevante traz um detalhe importante: a oferta ainda depende de aval da CVM e da B3 e prevê pagamento em debêntures, e não em dinheiro.
Segundo informações de mercado, as ações preferenciais da petroquímica chegaram a subir 11,10% na máxima intradia, a R$ 10,31. Por volta de 11h20, os papéis avançavam 5,50%, a R$ 9,79, figurando entre os destaques positivos do Ibovespa.
A OPA é consequência da alienação do controle da Braskem da NSP Investimentos, em recuperação judicial, para o Shine I FIP. Na nova estrutura de controle, a IG4, por meio do fundo Shine, passou a deter 50,1% das ações com direito a voto da companhia, enquanto a Petrobras ficou com 47%.
OPA da Braskem mira 100% das ações
No fato relevante, a Braskem informou que o Shine I FIP protocolou junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e à B3 o pedido de registro da OPA.
Segundo a correspondência enviada pelo fundo, “a OPA terá por objeto 100% das ações ordinárias e preferenciais da Companhia”. Isso significa que a oferta, caso seja aprovada e lançada, poderá envolver tanto os papéis ordinários quanto os preferenciais da petroquímica.
A proposta prevê que os acionistas que aderirem recebam exatamente a mesma contrapartida paga à NSP Investimentos na compra do controle da Braskem. Essa contrapartida será composta por debêntures da própria NSP Investimentos: duas debêntures da 1ª série da 2ª emissão e uma debênture da 2ª série da 2ª emissão.
Na prática, esse ponto diferencia a operação de uma OPA tradicional em dinheiro. Para o investidor, o valor econômico da oferta dependerá das características desses títulos de dívida, como risco, prazo, liquidez e condições de pagamento.
Oferta ainda não foi lançada
Apesar da reação positiva na Bolsa, a OPA da Braskem ainda não está em andamento. O documento deixa claro que “o efetivo lançamento da OPA está sujeito ao registro e à autorização da CVM e da B3”.
A minuta do edital ficará disponível nos sites da CVM e da B3. Mais informações sobre a oferta deverão ser prestadas pelo Shine I FIP no momento oportuno, enquanto a Braskem afirmou que manterá o mercado informado sobre desdobramentos materiais.
O fato relevante também esclarece que as debêntures oferecidas em contrapartida à OPA não foram e não serão registradas nos termos do Securities Act, dos Estados Unidos, e não poderão ser oferecidas ou vendidas no mercado americano, exceto em situações de isenção de registro.
Citi reduz preço-alvo, mas vê possível alívio na reestruturação
Também nesta quinta-feira, o Citi reduziu o preço-alvo de BRKM5 de R$ 14 para R$ 11,50 para o fim de 2026, mantendo recomendação neutra/alto risco. Ainda assim, o novo preço-alvo implica potencial de valorização em relação ao fechamento anterior.
Segundo a análise do banco, as tensões geopolíticas no Oriente Médio continuam sendo fonte de incerteza, mas o impacto imediato sobre preços tem sido ofuscado pelos fundamentos fracos do mercado. Após uma alta impulsionada por restrições de oferta em março e abril, o setor passou a enfrentar correção provocada por demanda fraca e maior disponibilidade de produtos.
Por outro lado, o Citi avalia que uma eventual negociação com credores e um plano de reestruturação podem ser favoráveis aos acionistas. O banco considera a possibilidade de carência para pagamentos de dívida e juros até o fim de 2027, além de desconto sobre a dívida bruta, sem conversão de dívida em ações.
A Braskem vive, portanto, uma sessão de euforia, mas o investidor ainda precisa olhar além da alta das ações. A OPA foi protocolada, mas não lançada; depende de aprovação regulatória; e a contrapartida prevista não é dinheiro, mas debêntures ligadas à estrutura de compra do controle da companhia.