B3 (B3SA3): novo risco nos EUA assusta bolsas, mas BTG vê retorno de 37%

A B3 (B3SA3) entrou no radar do BTG Pactual após uma nova discussão regulatória nos Estados Unidos pressionar ações de bolsas globais. Segundo relatório do banco, papéis de companhias como CME e ICE recuaram cerca de 15% desde meados de abril, depois que Coinbase e Kalshi anunciaram planos para lançar futuros perpétuos de criptomoedas regulados no mercado americano.

O movimento chamou atenção porque esses contratos, antes mais associados a plataformas offshore ou a uma zona regulatória cinzenta, passaram a ganhar espaço dentro do ambiente regulado dos EUA após aprovação da Commodity Futures Trading Commission, a CFTC.

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Para o BTG, o debate ainda parece distante da realidade brasileira. Mesmo assim, se bolsas americanas passarem a negociar com desconto por causa desse risco, a pressão pode afetar a avaliação da B3 no curto prazo, já que essas companhias são pares importantes para a empresa brasileira.

B3 sente pressão, mas BTG vê queda ligada ao Brasil

As ações da B3 caíram quase 20% desde meados de abril, segundo o relatório. Ainda assim, o BTG avalia que a maior parte dessa correção está mais ligada ao movimento geral de reprecificação das ações brasileiras do que ao risco específico dos futuros perpétuos. No mesmo período, o Ibovespa recuou quase 15%.

A preocupação dos investidores é que contratos perpétuos, inicialmente ligados a cripto, possam no futuro avançar para outras classes de ativos, como ações e commodities. Se isso acontecer, plataformas de prediction markets poderiam se tornar concorrentes mais relevantes para bolsas tradicionais de derivativos.

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No modelo tradicional, investidores escolhem um vencimento específico para negociar contratos futuros. Já os perpétuos permitem exposição contínua, com rolagem embutida na própria estrutura do produto. Essa diferença pode concentrar liquidez e aumentar a competição com modelos tradicionais de negociação.

Risco ainda parece distante no Brasil

No Brasil, o BTG afirma que futuros perpétuos regulados de cripto ainda não chegaram. Além disso, contratos perpétuos para outras classes de ativos sequer são permitidos atualmente nos Estados Unidos, o que torna o risco ainda mais distante para a B3.

Mesmo assim, o banco lembra que o mercado brasileiro já começa a testar formatos ligados a eventos financeiros dentro do ambiente regulado. A própria B3 anunciou recentemente seis novos contratos ligados ao Ibovespa, ao dólar e ao bitcoin, inicialmente restritos a investidores profissionais e autorizados pela CVM.

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O relatório também cita movimentos de outras instituições. A XP International anunciou uma parceria estratégica com a Kalshi, oferecendo acesso a prediction markets por meio de sua plataforma offshore. Já o BTG lançou uma plataforma baseada em modelos probabilísticos para apoiar decisões de investimento em ativos financeiros, como dólar, Ibovespa, ações e decisões de juros, mas com estrutura lastreada em derivativos tradicionais.

Apesar dos riscos no radar, o BTG manteve recomendação neutra para a B3, com preço-alvo de R$ 20. Considerando o preço de R$ 15,41 usado no relatório, o banco estima potencial de valorização de 29,8%, dividend yield de 7,0% e retorno total projetado de 36,7%.

Para a B3, o alerta não vem de uma ameaça imediata no Brasil, mas de uma mudança no tabuleiro global das bolsas. Se os novos produtos regulados nos EUA começarem a reduzir os múltiplos dos pares internacionais, a ação brasileira também pode sentir o impacto, mesmo com fundamentos ainda considerados relevantes pelo BTG.

Maíra Telles

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