Ibovespa tropeça de novo e flerta com sexta semana seguida de perdas

O Ibovespa começou a semana sem conseguir reagir. O principal índice da B3 fechou esta segunda-feira (18) em queda de 0,17%, aos 176.975,82 pontos, ampliando o clima de cautela que já domina maio e abrindo caminho para a sexta semana consecutiva de perdas. Entre pressão inflacionária, atividade doméstica mais fraca e nova escalada nas tensões do Oriente Médio, o investidor voltou a reduzir exposição a risco.

O pregão foi de pouca convicção, com volume financeiro de R$ 24,1 bilhões, enquanto o mercado absorvia uma combinação desconfortável de sinais. Pela manhã, o IBC-Br mostrou retração de 0,67% em março, reforçando a leitura de desaceleração da economia brasileira. Ao mesmo tempo, o Boletim Focus trouxe nova deterioração nas expectativas, com a projeção para a Selic ao fim de 2026 subindo de 13% para 13,25%.

Alison Correia, analista de investimentos e co-fundador da Dom Investimentos, resume o momento com uma máxima conhecida em Wall Street. “O dia termina em tom negativo. Como diz o velho ditado de Wall Street, ‘sell in May and go away’. E, de fato, maio vem confirmando esse movimento.”

Cotação do dólar hoje

O dólar devolveu parte da forte alta recente e voltou a fechar abaixo da marca de R$ 5,00, encerrando o pregão em queda de 1,37%, cotado a R$ 4,9985.

Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o movimento foi técnico, mas com limitações. “O dólar opera em queda na sessão, devolvendo parte da forte alta recente em um movimento de realização de lucros após o estresse político doméstico”, afirma.

Fechamento das bolsas americanas:

  • Dow Jones: +0,32%
  • S&P 500: -0,07%
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  • Nasdaq: -0,51%

Maiores altas e baixas do Ibovespa

Mesmo com o índice no vermelho, as petrolíferas avançaram acompanhando a disparada do petróleo, em meio à piora geopolítica. Petrobras (PETR4) subiu 2,13%, enquanto Petrobras (PETR3) avançou 2,52%. Prio (PRIO3) e Brava (BRAV3) também acompanharam o movimento.

Na ponta oposta, a pressão veio das mineradoras e do varejo. Vale (VALE3) caiu 2,01%, acompanhando a queda do minério de ferro, enquanto CSN Mineração (CMIN3) liderou as perdas.

Maiores altas:

  • Copasa (CSMG3): +4,12%
  • Petrobras (PETR3): +2,52%
  • Petrobras (PETR4): +2,13%
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Maiores baixas:

  • CSN Mineração (CMIN3): -9,11%
  • Casas Bahia (BHIA3): cerca de -10%
  • Marisa (AMAR3): -7,5%

Correia avalia que a pressão externa segue no centro das atenções. “Esse aumento da tensão fez os barris de petróleo dispararem novamente, reacendendo temores inflacionários globais.”

Na prática, o mercado vê um cenário em que inflação resistente, juros elevados e incerteza geopolítica seguem travando a tomada de risco. E, com o Ibovespa ainda preso à faixa dos 176 mil pontos, maio continua entregando exatamente aquilo que Wall Street costuma temer.

Maíra Telles

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